Deixem as crianças em Paz...
domingo, 9 de outubro de 2011
Para libertar o mundo: O melhor discurso de todos os tempos...
O melhor discurso de todos os tempos
Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina!
Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.
Charles Chaplin
O último discurso (O Grande ditador – 1940)
sábado, 8 de outubro de 2011
Eu odiaria crescer como alguns que eu sei que gostam de empurrar as pequenas crianças de perto...
Because we're sort a small
Because we're closer to the ground
And you're bigger pound by pound
You have no right
You have no right
To push and shove us little kids around.
Now just because your throat
has got a deeper voice
And lots of wind to blow it out
At little kids who don´t dare shout
You have no right
You have no right
To boss and beat us little kids about
Just because you have
whiskers on your face to shave
You treat us like a slave
So what? It's only hair
Just because you wear
A wallet near your heart
You think you're twice as smart
You know that isn't fair
But we'll grow up someday
And when we do, I pray
We won't just grow in size and sound
And just be bigger pound by pound
I'd hate to grow like some I know
Who push and shove us little kids around.
From The 5,000 Fingers of Dr. T.
Um filme musical de fantasia, dica de Xtrobo
Letra explicada no contexto: Philip Nel in "Dr. Seuss: American icon"
Leia mais sobre "The 5,000 Fingers of Dr. T." (1953) clicando aqui, ali e acolá.
Because we're closer to the ground
And you're bigger pound by pound
You have no right
You have no right
To push and shove us little kids around.
Now just because your throat
has got a deeper voice
And lots of wind to blow it out
At little kids who don´t dare shout
You have no right
You have no right
To boss and beat us little kids about
Just because you have
whiskers on your face to shave
You treat us like a slave
So what? It's only hair
Just because you wear
A wallet near your heart
You think you're twice as smart
You know that isn't fair
But we'll grow up someday
And when we do, I pray
We won't just grow in size and sound
And just be bigger pound by pound
I'd hate to grow like some I know
Who push and shove us little kids around.
From The 5,000 Fingers of Dr. T.
Um filme musical de fantasia, dica de Xtrobo
Letra explicada no contexto: Philip Nel in "Dr. Seuss: American icon"
*Bart Collins é o personagem interpretada por Tommy Rettig, "um menino de 9 anos que, cansado e atormentado pela prática excessiva imposta por seu professor de piano, adormece sobre as teclas e sonha estar preso numa fortaleza onde é mantido em regime de escravidão. O professor se chama Dr. Terwilliker, ou simplesmente Dr. T, caricatura de ditador que mantém Bart e mais centenas de outros meninos encarcerados num mundo delirante e labiríntico, no qual um piano gigante, de dois andares, está à espera do dia em que os 500 meninos, com seus 5000 dedos, executarão o concerto “definitivo” composto pelo tirano." Contracampo . Revista de cinema
Leia mais sobre "The 5,000 Fingers of Dr. T." (1953) clicando aqui, ali e acolá.
Nota de Re-nascimento:
Hoje decerto que o Planeta Azul se fecundou em alguma coisa boa vinda da imensidão do espaço com esses meteoros que vão caindo por aqui. Nesses dias, depois do texto lindo sobre as Crianças de Elaine Tavares, e inundado de uma Arte na sua expressão mais imensa/super/mega mágica e estroboscopicamente emeninada, algo também se acriançou mais ainda em mim. Também porque é Primavera, e é chegada a estação da alma que faz brotar da terra e do peito esperanças novas. Tempo de re-nascer... Conjunções se deram, sincronicidades, majik no ar, de crescer com alegria, de dar as mãos e cabeças, de trazer ao peito outras crianças...
O Barco do Destino passou por mil mares, mil janelas, mil céus, atravessou desertos, cruzou pela lama, fez o Nawta da Paz ir franciscar, sair e querer tocar as estrelas, tocar noutros portos, libertar-se de todas as tiranias. E porque "de tão calejada, minha âncora demora já um pouco mais a se soltar do fundo que antes, quando mais criança..." veio um Avatar me dar uma mãozinha, o Mestre do Ar me soprar e segredar, assim à primeira vista, mil coisas que só meninos sabem saber da "infância mágica"... It´s magic...
Eita, Menino de 5 mil dedos fazendo artes nos céus... skies...
Eu amaria crescer como, e com um Menino que gostasse e trouxesse no peito tanto Amor assim... pequena criança...
Hoje, mais que nunca, eu deixei de ser homem, para ser Menino, para ser Super-Homem, diria Zarathustra... Re-nasci no borbulhante das ondas do mar desse céu... Fui literalmente tocado, assim, num lapso de tempo, num momento de eternuridade do estalar de cinco mil dedos...
Pra essa canção do menininho Bart Collins cheio de dedos na cabeça - e tudo o que ela significou pra mim nesse dia meteórico - só tenho a dizer isso, piscando pra Ele: brigadim, viu?
Hoje decerto que o Planeta Azul se fecundou em alguma coisa boa vinda da imensidão do espaço com esses meteoros que vão caindo por aqui. Nesses dias, depois do texto lindo sobre as Crianças de Elaine Tavares, e inundado de uma Arte na sua expressão mais imensa/super/mega mágica e estroboscopicamente emeninada, algo também se acriançou mais ainda em mim. Também porque é Primavera, e é chegada a estação da alma que faz brotar da terra e do peito esperanças novas. Tempo de re-nascer... Conjunções se deram, sincronicidades, majik no ar, de crescer com alegria, de dar as mãos e cabeças, de trazer ao peito outras crianças...
O Barco do Destino passou por mil mares, mil janelas, mil céus, atravessou desertos, cruzou pela lama, fez o Nawta da Paz ir franciscar, sair e querer tocar as estrelas, tocar noutros portos, libertar-se de todas as tiranias. E porque "de tão calejada, minha âncora demora já um pouco mais a se soltar do fundo que antes, quando mais criança..." veio um Avatar me dar uma mãozinha, o Mestre do Ar me soprar e segredar, assim à primeira vista, mil coisas que só meninos sabem saber da "infância mágica"... It´s magic...
Eita, Menino de 5 mil dedos fazendo artes nos céus... skies...
Eu amaria crescer como, e com um Menino que gostasse e trouxesse no peito tanto Amor assim... pequena criança...
Hoje, mais que nunca, eu deixei de ser homem, para ser Menino, para ser Super-Homem, diria Zarathustra... Re-nasci no borbulhante das ondas do mar desse céu... Fui literalmente tocado, assim, num lapso de tempo, num momento de eternuridade do estalar de cinco mil dedos...
Pra essa canção do menininho Bart Collins cheio de dedos na cabeça - e tudo o que ela significou pra mim nesse dia meteórico - só tenho a dizer isso, piscando pra Ele: brigadim, viu?
Que dia mais feliz eu vivi... que dias felizes eu viverei... muito mais do que cinco mil dedos podem contar... Happy fingers... Feliz Todo Dia das Crianças...
Lo sueño siempre que la tristeza no me lo impide...
Lo sueño siempre que la tristeza no me lo impide, H.R. Herzen
Me encantaría vivir en un lindo pueblo o en un increíble castillo compartiendo mi cotidianidad y mis deseos con todas las personas que considero bonitas a mi alrededor. Y también quiero morir ahí, no me importa cuándo, pero ahí. Y espero y confío que le digan a todas las personas que también consideran bonitas que vengan, que hay sitio para todas cuando el cariño nos gobierna. Parto de la base de que los y las amantes de mis amantes deberían ser siempre mis amistades y, si el cuerpo nos reclama, quizá también mis amantes. No lo dudo, que nadie lo dude.
Y claro que se lo repito a todas y a todos los personajes que se me cruzan en la vida y que genero con ellos una relación linda y agradable o explosiva y trepidante; creo que no engaño a nadie por ello. Lo escribo, lo grito, lo bailo, lo canto, lo pinto y lo sueño siempre que la tristeza no me lo impide. A partir de ahora ya lo tienes por escrito. Puedes mirar para otro lado, puedes criticar por el placer de hacerlo, puedes despotricar y asegurar que es sólo una burda estrategia más de las muchas que tengo para embaucar a inocentes pescaditos que caerán en mis redes malignas y mentirosas. Puedes ver contradicciones, incoherencias, absurdos, paradojas, discordancias, incongruencias o desatinos, pero los días que me levanto con fuerzas, que suelen ser casi todos, esa es mi firme apuesta, ironía de una vida sin ilusiones.
Ya sabes que cuando una persona entra en mi vida, es decir, en mi corazón, quiero que se quede para siempre, hasta que la muerte nos separe. Y sé que habrá momentos, épocas y situaciones de acercamiento y alejamiento, de obsesión y descanso, de risa y llanto, de atracción y hasta de repulsión, de planes y proyecciones como también de hundimiento de cimientos para quizá volverlos a levantar. Habrá demasiado de todo y mucho de nada, caminares compenetrados y miradas esquivas, bailes pegados y orquestas aburridas, sexo imparable y camas frías, paseos exquisitos y huidas por la espalda, días de sol y túneles sin salida, comilona de perdices y sabores amargos.
Si no creyera en la balanza, ya me habría hecho dilapidar en este absurdo disparate; eso es, ya hubiera acatado las órdenes sutiles del patriarcado dominante y habría agachado la cabeza para conseguir marido, hipoteca, patrón, dios, miedo, uniforme, apariencia, amo, represión, consumo, estrés, mascota...
Y repito en todos los susurros al oído, en todas las conversaciones de iguales, en todos los espacios que puedo: quiero que nos amemos en libertad y que nos cuidemos generosamente, deseo que alimentemos y nunca cortemos las alas de la curiosidad a muchas hijas e hijos fruto de infinitas noches, mañanas, tardes y ratos de sexo, pasión y placer lindo y agradable; juntas, revueltas, en pareja, en tríos o de cuatro en adelante, como más nos guste o apetezca en el momento, pero siempre con horizontes de cariño y ternura.
Sé que me moriré cualquier día y no habré sentido que esa maravillosa utopía es real, porque es eso, una camino a seguir con estrellas fugaces de fondo que te hacen ir de un lado a otro para nunca llegar al destino. Es un ideal, una quimera, una fantasía, una ilusión, un sueño y una invención fruto de la imaginación, el anhelo y hasta de la alucinación de la enfermedad obsesiva que me invade. Como cantaba Sabina, “no hay nostalgia peor que añorar lo que nunca jamás sucedió”. Y la nostalgia eterna me parece una cagada de vida.
Ese castillo no tiene que ser un lugar físico, puede ser una red de emociones, una conexión de cariños, una malla de sentimientos, una urdimbre de deseos, una trama de afectos, un tejido de caricias, una relación de relaciones. Y que fuera hogar de todas y que sea un lugar de acogida o de paso para visitantes, cómplices o amantes ocasionales. Preferiría que eso fuera en una playa o muy cerca, que hiciera un tórrido calor la mayor parte del año, que fuera en total armonía con la naturaleza, con mucho trabajo y dedicación, con música, baile y arte impregnando cada recoveco. Que los conflictos y problemas existan pero los sepamos solucionar sin traumas ni pérdidas irreparables.
¿Egoísmo? Inventemos entonces la palabra “nosismo” (ego, yo; nos, nosotras) y partamos de una concepción de la vida en que nuestro interés colectivo guíe nuestro actuar por ética, razón, pasión o necesidad. Y aunque parece (de apariencia) muy bonito no es tan fácil el camino. Suena muy idílico, pero algo tan básico como volar con otros vientos cuando lo deseamos y no sentirnos culpables por dejarnos arrastrar por mareas indefinidas es un modo de vida incompatible con el esquema patriarcal que demasiado daño provoca cuando el caminar al lado de alguien no es acompasado.
Y me encantaría que mis tristes escudos y protecciones se rompan en añicos y que mis aburridas anclas se hundan en las arenas movedizas del amor y el deseo. Pero para ello necesito confirmar y reconfirmar y también escuchar y leer que tenemos la confianza y la tranquilidad de vivir libremente y a nuestra manera para instalarnos en ese bonito castillo cerca de la playa. La intención no es desconfiar pero me he pasado la vida llorando por dentro de tristeza con un dolor incrustado entre las costillas que condiciona claramente lo que hago y querría hacer en mi vida. He visto, vivido y sufrido demasiadas obsesiones mal canalizadas que precisamente me hacen huir y protegerme de las bellas e ilusionantes ilusiones que me despiertan algunas personas espectacularmente bonitas, interesantes, atractivas y amorosas.
Y así, me repito insistentemente que es fundamental relacionarme con personas que vivan lo más parecido a mí algunas cosas básicas; no simplemente que les parezca bien, les haga gracia o hasta asientan con la cabeza ante lo que apuesto como modo de vida en sociedad. Forma parte de la construcción de castillos de arena, de vidrio, de cartas o en el aire pero con cimientos firmes; el castillo del amor y la amistad libre y respetuosa donde lo importante no es el futuro indefinido e incierto sino el ahora concreto y real, donde el sexo con otras personas no fractura relaciones y las proyecciones son sanas y equilibradas entre los deseos presentes y a veces fugaces y los caminos desconocidos de la vida.
Esto que lees aquí son sólo palabras que hasta te parecerán vacías o contradictorias, pero mi gran apuesta es que se conviertan en hechos reales, sin miedo, para que nuestros caminos sean más ligeros cada día y soltemos lastre y prevenciones a medida que nos conocemos. Agradezco infinitamente al universo encontrarme con personas que se juegan la vida por ello.
Reproduzido do Blog Antes muerta que sumisa (Totamor)
06 out 2011
Lia, sentia, flutuava e ouvia muito "away from here"...
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Deixai vir à midia as criancinhas...
Todo dia é dia da criança
Elaine Tavares
07 out 2011
Para meu amigo Leo Nogueira (que é criança)
Dois homens, os quais amo muito, disseram coisas muito semelhantes sobre a criança. Um deles foi Jesus. Ao verem o mestre, numa de suas paradas, entre os caminhos poeirentos das estradas da Palestina, ser rodeado pelos pequenos barulhentos, os seus companheiros decidiram enxotá-los, acreditando que era isso que Jesus desejava. Mas o Rabi fez foi enxotar os apóstolos. “Deixai vir a mim as criancinhas, porque é delas o reino do meu pai”. Daquela cena fala Lucas, em seu evangelho: “O reino de Deus é dos que se parecem com as crianças. O que não receber o reino como uma criança, não entrará nele”, ( Lucas.18:15).
Bem mais tarde, Nietzsche, na Alemanha, vai oferecer ao mundo sua visão de super-homem. Para ele, o super-homem é, justamente, a criança. No seu lindo livro “Assim falava Zaratustra”, Friedrich diz: “Dizei-me irmãos: que poderá a criança fazer de que o próprio leão tenha sido incapaz? Para que será preciso que o altivo leão tenha de se mudar ainda em criança?” A resposta é a chave para a idéia de super-homem. Diz Zaratustra que a criança é a inocência, o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira sobre si. “Para jogar o jogo dos criadores é preciso ser uma santa afirmação. O espírito quer agora a sua própria vontade, tendo perdido o mundo, conquista seu próprio mundo”.
A criança não sabe das maldades do mundo, não foi domesticada pela sociedade onde está inserida. Nela não há bem, nem mal, apenas o viver, a descoberta. A surpreendente descoberta de um dedo que se move, de um pé, de coisas que a rodeiam e sobre as quais ela nada sabe. É por isso que um bebê pode sorrir diante de um lobo, ele não sabe do mal, está cheio de encantamento pela vida que passeia diante de seus olhos. É isso que o profeta Zaratustra, de Nietzsche, vem dizer quando propõe a “terceira transformação”. Nenhum mal, nenhum bem, só esse encantamento, esse brilho no olhar, essa sede de descobrir.
É na criança que se vê, inteira, a coragem, a nobreza, a aceitação da diferença, a força que desloca para frente, destemida. Percebe-se aqui o amor imenso de Nietzsche pelo ideal pré-socrático. A criança de Nietzsche é um pouco o herói homérico, guerreiro que vai para a luta pensando em nada. Só a vontade de lutar o impulsiona e, se sai vivo da batalha, celebra a vida que continua. Nem bem, nem mal.
Por isso, esses homens tão desiguais se encontram em mim, porque também acredito que é preciso que a gente nunca perca de vista a criança em nós. Porque só assim entraremos no “reino” (a vida boa e bonita), porque só assim nos tornaremos aquele que podendo fazer tudo, só faz o que é nobre (o super-homem).
Nesses dias que antecedem o dia da criança observei muitas coisas estranhas. Na internet rolou um movimento de colocar desenhos para denunciar a violência contra a criança, e coisas do tipo. Acredito que isso pode ser válido, mas não é suficiente. A violência contra as crianças começa dentro da gente. Todo o drama da violência que vimos expressado cotidianamente nos programas televisivos de desgraças e nas páginas policiais é fruto da ação de adultos que perderam sua criancice. Seja pela desgraça da miséria e da dor que pode ter sido tão grande que os endureceu, seja pela violência de um sistema que tem por premissa básica o lema: para que um viva, outro tem de morrer.
Quando vejo por aí essas caminhadas pela paz, ou esses movimento virtuais, isso me desconforta. Não basta pedir paz aos “bandidos”. Essas criaturas que andam pelos caminhos roubando e matando não são sensíveis a isso. Elas querem é ver mudanças concretas nas suas vidas. Por que raios dariam paz a uma classe que as oprime e destrói? E aí o círculo da violência segue girando.
O concreto da luta pela paz é a mudança real de cada ser humano. Viver como criança, sentir como criança, brincar como criança, amar como criança. Gratuidade, alegria, partilha. Caminhar nessa beleza é o primeiro passo. Depois, já impregnados dessa ternura infantil, a gente sai para a vida, para mudar o mundo. No partido, no sindicato, no movimento, na luta real, concreta, nas estradas secundárias. Mudar o sistema, o modo de organizar a vida. Atuar no sentido de tornar todos crianças, capazes da nobreza, do bem-viver.
Nestes dias em que a televisão ideologiza e bestifica a infância induzindo ao consumo desenfreado, eu busco Jesus e Nietzsche, esses meus amigos, para tentar soprar algum segredo mágico nos ouvidos que sabem ouvir: ouvidos de criança.
Assim, quem sabe, em vez de comprar presentes de plástico, a gente não sai por aí dando cambalhota, pulando amarelinha, brincado de esconde-esconde, cantando cantigas de roda, passando rasteira nos vilões do amor? Precisamos ser crianças, todos nós... Só assim, quem sabe, essa coisa egoísta e fútil que se tornou o mundo, começa a mudar.
Reproduzido de Palavras Insurgentes
“Olhai as crianças nos campos, nas ruas, nas montanhas, nas casinhas pobres, como crescem... Elas não têm celular, nem televisão ou tablets, e eu sei e digo, que nenhum "Salomão" da Educação e da Comunicação jamais teve tanta alegria e sabedoria quanto elas”...
Leo Nogueira Filosomidiando em trecho da dissertação "Telejornais e crianças no Brasil: a ponta do iceberg" em andamento. Defesa provável em 11/11/11 UFSC.*
*"Defendida" em 06/12/11
*"Defendida" em 06/12/11
Dieta informacional: a Rede Globo "está investindo em telejornais mais soltos e informais"
Telejornais faturam o mesmo que novelas na Rede Globo
Anderson Scardoelli
O jornalismo e a dramaturgia são os núcleos que mais geram receita para a TV Globo, informa o diretor geral da emissora, Octávio Florisbal. O executivo revela ao Comunique-se que "há equilíbrio" entre os dois setores, não tendo um à frente do outro no quesito faturamento. "A procura por estes gêneros é muito grande".
Sem revelar os números de cada departamento, Florisbal conta que atrás do jornalismo e dos folhetins produzidos pela Globo, o departamento de esportes é o que mais arrecada. Os shows e outras atrações de entretenimento e variedades, incluindo seriados e programas esporádicos somam a quarta força de arrecadação do canal.
Dividido entre conteúdo local e nacional, a Globo dedica cerca de cinco horas diárias da sua programação para o jornalismo. Ao todo, nove noticiários são produzidos por dia pelas duas principais geradoras de conteúdo da rede: São Paulo e Rio de Janeiro. Sobre este conteúdo, o executivo diz que "está investindo em telejornais mais soltos e informais".
Reproduzido de Comunique-se em 06 out 2011.
Comentário de Filosomídia:
Dieta informacional = Telejornais = Novelas = Entretenimento = $
Veja mais sobre Notícias e Entretenimento, por Prof. Daya Kishan Thussu clicando aqui.
"Revista infantil" no Brasil e nos Estados Unidos
Veja mais em "OAB pede fim de revistas em crianças" No Globo (2007) clicando aqui: "O policial é um ser humano, ninguém se sente bem revistando uma criança. Mas a realidade é que traficantes utilizam inocentes, sejam eles crianças, adolescentes ou idosos."
E, nos Estados Unidos...
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Sugestões de Filosomídia à "Consulta pública: Plataforma para um novo Marco Regulatório das Comunicações"
Sugestões de Filosomídia
Consulta pública: Plataforma para um novo Marco Regulatório das Comunicações
Pela Classificação Indicativa para Telejornais e Programas Noticiosos no reconhecimento da comunicação como um direito humano e ao que isso implica, como o direito à informação de qualidade.
Pela "Hora da Voz das Crianças do Brasil" em TV e Rádio, nos moldes da "Hora do Brasil" nas rádios, em atendimento ao direito que as crianças têm à informação jornalística de qualidade especialmente produzida para elas.
Pela regulação que vise implantação de Ouvidorias em todos os canais de TV/Rádio e Portais de Internet ligados aos grandes grupos de mídia, sob as expensas destes, e espaço em horários determinados nos meios de comunicação - junto aos telejornais e programas noticiosos - para diálogo e afirmação da voz dos usuários/clientes/telespectadores em relação à programação.
Que o direito à liberdade de expressão outorgado às empresas de comunicação seja compatível com o direito e à liberdade de expressão da sociedade, DENTRO da programação das TV/Rádios que são concessões públicas. Regulação do direito de voz da sociedade DENTRO da grade das TV/Rádio.
Pela regulação da concessão de TV/Rádio às associações comunitárias, e não-renovação com as grandes corporações de mídia em resposta ao descaso destas com as funções sociais/educativas dos meios de comunicação. Pelo fim dos oligopólios.
Pela implementação das TV/Rádios Universitárias públicas na relação destas com a sociedade, pela regulação de suas instalações, equipamentos, técnicos e professores para a cessão de tempo/espaço/programas/participação às reivindicações dos movimentos sociais.
Pelo imediato cumprimento dos Artigos 54 e 55 da Constituição Federal na sua relação com empresas dos meios de comunicação.
Pelo fim imediato da publicidade/propaganda dirigida ao público infantil.
Pela criação, implantação e apoio dos governos aos Conselhos Escolares de Comunicação Social (CECOM), locais, regionais e nacionais, especialmente na rede pública de ensino, com a participação da comunidade escolar na discussão, elaboração, proposição, acompanhamento e monitoria das políticas públicas para o setor.
Pela participação popular e dos movimentos sociais nos assentos municipais, estaduais e nacionais e pelos Conselhos de Comunicação. Pelos Conselhos
Pelo imediato fim de publicidade/propaganda nos canais fechados (cabo), uma vez que a assinatura já “paga” esse serviço.
Pela ampliação de editais públicos que visem estimular a produção cultural nacional para os meios de comunicação e apoio aos projetos específicos dos Pontos de Cultura para a área.
Pelo imediato fim da “distribuição de recursos” públicos chamados de “publicidade oficial” que são “pagos” aos meios de comunicação e redes de TV/Rádio comerciais.
Pelo imediato fim do “apoio” e “patrocínio” da Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal etc. às redes comerciais de TV/Rádio e sua programação, seja qual for.
Pelo deslocamento dessas verbas para o apoio e patrocínio de projetos/programas que estimulem a programação de qualidade nas redes públicas de comunicação.
Pelo fortalecimento da rede pública de televisão e uma programação de qualidade em canal aberto, como alternativa à grade das “redes comerciais”. Que as redes comerciais “se revirem” para conseguir patrocínio/verba junto às empresas privadas.
Faça suas sugestões na página "Comunicação Democrática" até o dia 07 de outubro de 2011 clicando aqui.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Imprensa é dinheiro...
Jornalismo & Sensacionalismo
A informação que vende
Por Valério Cruz Brittos e Éderson Silva em 04/10/2011 na edição 662
Desde que a informação, a matéria-prima do jornalismo, passou a ser concebida como um produto e como tal priorizada para venda, o ato de informar seguiu um caminho perigoso e conflitante. A fidelidade aos fatos e à ética foi distorcida em nome de uma matéria espetacular para a apreciação e o consumo do maior número de receptores possível. Inseridas no contexto capitalista, as empresas de comunicação têm uma visão mercantilista da informação, que deve agregar a maior parte do público a que se destina para obter os melhores preços na vendagem do produto em si ou de sua publicidade.
O sensacionalismo é utilizado cada vez mais como recurso estratégico nesta Fase da Multiplicidade da Oferta em que os agentes comunicacionais têm que captar a atenção do público rapidamente, ante o acirramento da concorrência. Esta capacidade de agregar públicos faz com que o sensacionalismo seja utilizado, inclusive, como ação de programação para conquistar público localmente, como, no mercado televisivo, fazem Band e Record com a edição regional do Brasil Urgente e o Balanço Geral, respectivamente, ou como procedem organizações jornalísticas de vários estados brasileiros, com jornais para públicos C, D e E.
Nos projetos sensacionalistas, a notícia deve ser conduzida a um extremo, ocorrendo a exacerbação dos fatos incessantemente com detalhes minuciosos a fim de chocar ou emocionar o público. Estes casos ocorrem principalmente em sequestros, estupros, crimes hediondos, assaltos e outros acontecimentosfortes, em que há uma máscara de jornalismo popular, com seus protagonistas sendo proclamados representantes do povo. São mostrados como figuras paternalistas, defensoras dos mais fracos, mas se enriquecem da desgraça e do sofrimento alheio, vendendo uma imagem ilusória de salvação para os problemas sociais.
Questão ética, ponto crucial
Diariamente, grande parte da mídia utiliza-se do sensacionalismo para esquentar a notícia, permitindo sérios questionamentos éticos. Assim, o sensacional é mostrado de forma chocante e cruel ao telespectador e ao leitor. Os programas policiais utilizam-se muito desta forma de violência gratuita para noticiar os acontecimentos diários, quando são violados os direitos do cidadão. Forma-se um verdadeiro “circo midiático” em torno de um dado acontecimento, que toma proporções gigantescas, não raro desenrolando-se em vários capítulos, como uma novela, pronta para a venda em larga escala. Este tipo de jornalismo não distingue o que é informação relevante da que não é, e sim, a que vende e a que não vende.
O Código de Ética dos jornalistas brasileiros menciona que o profissional da área deve combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação. Deve haver respeito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão, o que não ocorre quando se trata de explorar a notícia pelo seu ângulo sensacional. Paradoxalmente, quanto mais o sensacionalismo é utilizado, mais é lançado o argumento de que o jornalismo não deve ser regulado porque, por si próprio, teria um caráter de serviço público, mesmo quando exercido no âmbito de instituições mercadológicas.
A atividade jornalística visa à pluralidade, na sua gênese estando ligada a interesses mais amplos, já a exploração de imagens com o objetivo de chocar as pessoas remete a objetivos privados, relacionados ao lucro, preferencialmente. No código da profissão está claro, em seu artigo 11, dentre outros pontos, que o jornalista não pode divulgar informações visando ao interesse pessoal ou buscando vantagem econômica; nem que contenham caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes. Questiona-se até que ponto grande parte dos conteúdos jornalísticos atuais passa por este confronto nas diversas mídias que atravessam a sociabilidade contemporânea.
***
[Valério Cruz Brittos e Éderson Silva são, respectivamente, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos e graduando do Curso de Comunicação Social – Jornalismo da mesma instituição]
Reporduzido do Observatório da Imprensa
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