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quarta-feira, 2 de março de 2011

Quem tem medo do jornalismo econômico?


"A construção de verdade através do noticiário econômico

Sabe-se que a construção de verdade passa obrigatoriamente pela linguagem, pois ela fornece os termos que possibilitam uma visão de mundo. Sistema de valores, conceitos e mesmo noções aparentemente simples sobre as coisas e fatos do dia a dia se tornam a base do sistema sobre o qual vários discursos são construídos. E a constituição da palavra, bem como seu uso, estão associados ao poder: segundo Foucault, a linguagem é alvo do exercício de poderes que a controlam, os poderes não incidem apenas sobre os corpos, mas também sobre as palavras. Os rituais de verdade são, segundo Foucault, a forma mais superficial e mais visível dos sistemas complexos de restrição do discurso. A troca e a comunicação são figuras positivas que atuam no interior desse sistema. O ritual define a qualificação que devem possuir os indivíduos que falam (e que, no jogo de um diálogo, da interrogação, da recitação devem ocupar determinada posição e formular determinados tipos de enunciados). Define também os gestos, os comportamentos, as circunstâncias e todo conjunto de signos que devem acompanhar o discurso; fixa, enfim, a eficácia suposta ou imposta das palavras, seus feitos aos quais se dirigem, os limites de seu valor de coerção. Há no discurso, enfim, propriedades singulares e papéis preestabelecidos.

Realidades mediadas

Os meios de comunicação, como emissores essenciais de discursos sobre e para a sociedade, contribuem para a construção de verdades. Eles afetam as maneiras pelas quais os indivíduos experimentam as características de tempo e espaço da vida social: cria-se aí uma realidade mediada das formas simbólicas acerca de tudo aquilo que esteja além das experiências pessoais. Isso altera o sentido de pertencimento dos indivíduos, a compreensão dos grupos e das comunidades a que eles sentem pertencer. A mídia envolve-se, assim, ativamente na construção do mundo social ao transmitir imagens e informações para indivíduos situados nos mais distantes contextos: ela modela o curso dos acontecimentos, cria acontecimentos que não poderiam ter existido em sua ausência".

Marcos Ritel . USP

Leia o texto completo clicando aqui.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Emir Sader: Prefácio de "A educação para além do capital" de István Mészáros


"O objetivo central dos que lutam contra a sociedade mercantil, a alienação e a intolerância é a emancipação humana.

A educação, que poderia ser uma alavanca essencial para a mudança, tornou-se instrumento daqueles estigmas da sociedade capitalista: “fornecer os conhecimentos e o pessoal necessário à maquinaria produtiva em expansão do sistema capitalista, mas também gerar e transmitir um quadro de valores que legitima os interesses dominantes”. Em outras palavras, tornou-se uma peça do processo de acumulação de capital e de estabelecimento de um consenso que torna possível a reprodução do injusto sistema de classes.

Em lugar de instrumento da emancipação humana, agora é mecanismo de perpetuação e reprodução desse sistema. A natureza da educação – como tantas outras coisas essenciais nas sociedades contemporâneas – está vinculada ao destino do trabalho. Um sistema que se apóia na separação entre trabalho e capital, que requer a disponibilidade de uma enorme massa de força de trabalho sem acesso a meios para sua realização, necessita, ao mesmo tempo, socializar os valores que permitem a sua reprodução. Se no pré-capitalismo a desigualdade era explícita e assumida como tal, no capitalismo – a sociedade mais desigual de toda a história –, para que se aceite que “todos são iguais diante da lei”, se faz necessário um sistema ideológico que proclame e inculque cotidianamente esses valores na mente das pessoas.

(...) Os que lutam contra a exploração, a opressão, a dominação e a alienação – isto é, contra o domínio do capital – têm como tarefa educacional a “transformação social ampla emancipadora”. Se em Para além do capital Mészáros retomava o fio condutor de O capital, neste texto – vibrante, lúcido, decifrador – ele se insere na prolongação do Manifesto Comunista, apontado para as tarefas atuais do pensamento e da ação revolucionária no campo da educação e do trabalho – isto é, da emancipação humana".

Emir Sader
Prefácio do livro "A educação para além do capital" de István Mészáros

Leia o prefácio na íntegra na página do Espaço Acadêmico clicando aqui.