Produção
audiovisual infantil brasileira está abandonada, diz produtora cultural
Carolina
Gonçalves
Agência
Brasil
18/09/2012
A população infantil
consumidora de produtos audiovisuais brasileiros, como produções de cinema,
está abandonada no Brasil. A avaliação é da produtora cultural Carla Esmeralda,
que dirige o Festival Internacional de Cinema Infantil, ao lado da cineasta
Carla Camurati, desde 2003.
No primeiro dia de
debates do Fórum de Defesa e Promoção do Cinema Infantil Brasileiro, que
integra a programação do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Carla
Esmeralda destacou que o problema no Brasil não está limitado à falta de
recursos, mas também à falta de articulação das leis do audiovisual que regulam
os investimentos.
“A partir do quanto se
tem [recursos], podemos construir um novo mercado e desobstruir problemas que
afetam o audiovisual infantil, como a distribuição das produções”, disse.
Segundo Carla Esmeralda,
mercados como a Dinamarca e Holanda deveriam ser vistos como exemplo pelos brasileiros.
A Dinamarca, por exemplo, destina 25% de todos os investimentos de audiovisual
para as produções infantis. “É um país de 6 milhões de habitantes. Aqui devemos
ter algo em torno de 25 milhões de crianças. É uma população imensa e você tem
que legislar a favor dessa população”, disse.
No caso da Holanda, o
chamado “filme familiar”, segmento voltado para pais, mães e filhos, reúne 500
mil espectadores, de acordo com a produtora cultural. “Temos que descobrir no
Brasil qual é a nossa tendência. Temos que começar a fazer para entender qual a
resposta das nossas crianças. Já vejo filmes brasileiros que as crianças gostam
muito, as crianças brasileiras gostam muito de comédia, por exemplo”.
Carla Esmeralda acredita
que o Festival Internacional de Cinema Infantil, criado em 2003, inspirou uma
nova geração de cineastas e que o país precisa incentivar a criação de um
mercado voltado para este público. “Já temos uma nova geração de cineastas que
quer fazer filme para criança e 70% deles são homens”, disse.
Os debates em torno de
temas como a distribuição e produção de filmes infantis no Brasil, eventos e
festivais de cinema para esse público, mercado dos filmes de animação e as
novas perspectivas para o segmento será concluído amanhã (19). As propostas
apresentadas durante o fórum serão entregues, em um documento, aos
representantes da Comissão de Educação e Cultura do Senado Federal, do
Ministério da Cultura, do Ministério da Educação e à Presidência da República.
Além de alvo de
discussões, o cinema infantil tem espaço garantido no Festival de Brasília, com
local e horários específicos para as crianças conferirem curtas-metragens
nacionais infantis. Conhecido como Festivalzinho, a programação foi inaugurada
hoje, pela manhã, com o filme O Filho do Vizinho.
O curta-metragem de
pouco mais de sete minutos, produzido no Distrito Federal e com direção de Alex
Vidigal, mostra a história de Ronaldinho, um garoto que observa maravilhado as
aventuras e as peripécias de um garoto chamado de várias formas por uma vizinhança
enlouquecida com ele.
O Festivalzinho
apresenta amanhã (19) Uma Estrela no Quintal, animação paulista de Danielle
Divardin sobre Clarisse, uma menina de cinco anos cheia de imaginação que sonha
em alcançar a estrela mais brilhante. Até o dia 21, serão exibidos 11 curtas na
Sala Martins Pena do Teatro Nacional, sempre às 10 horas.
Além das exibições no
Teatro Nacional, que este ano, funciona como sede das mostras competitivas de
longas-metragens ficção e documentário e de curtas-metragens de ficção,
documentário e animação, os filmes que integram o circuito do Festivalzinho
serão apresentados em espaços no entorno da capital, como Candangolândia,
Ceilândia, Cruzeiro, Guará, Gama, Núcleo Bandeirante, Park Way, Riacho Fundo 2,
Samambaia, Sobradinho e Taguatinga.
Reproduzido
de clipping FNDC
18
set 2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário