segunda-feira, 16 de julho de 2012

Produção de conteúdo para TV: Nelson Hoineff em entrevista no Sonhar TV


Nelson Hoineff em entrevista no Sonhar TV

Em sua entrevista ao Sonhar TV, Nelson Hoineff expõe seu embasamento teórico em estudos de televisão. Explica de forma didática várias transformações que ocorreram na TV em função da tecnologia, e também afirma sobre o que será transformado em função do digital.

Hoineff analisa o que considera uma crise do momento atual da produção de conteúdo para TV, da falta de novos talentos e de aposta das emissoras. Aponta que a TV poderia se beneficiar de programas com novos formatos, ou mesmo de conteúdos polêmicos.


Nelson Hoineff é jornalista, produtor e diretor de televisão. Especializou-se em cinema pela New York University, e em novas tecnologias da televisão pela New School for Social Research, em Nova Iorque. Em 2001 fundou o Instituto de Estudos de Televisão (IETV) que promove seminários, mostras, encontros, festivais e estudos sobre TV.

Em televisão, trabalhou para as redes Rede MancheteSBTTVE e TV Bandeirantes. Criou e dirigiu muitos programas, entre eles, o jornalístico “Documento Especial” duradouro, bastante premiado e de grande audiência, trazia uma linguagem e abordagem aprofundada e diferente sobre cada assunto tratado.

 No cinema, dirigiu os documentários: “Alô, Alô, Terezinha”, sobre o apresentador Chacrinha e “Caro Francis”, sobre o jornalista Paulo Francis. Foi precursor em estudos de televisão, lançando os livros: “TV em expansão”, “A nova televisão”.  

Visite o perfil do entrevistado: Nelson Hoineff




SONHAR TV é um movimento para discussão coletiva que visa refletir sobre o que seria uma hipotética televisão dos sonhos para a sociedade.

Reproduzido de Mídia e Educação por Cristiane Parente e Sonhar TV.

Assista aos vídeos na página de Youtube do Sonhar TV clicando aqui.

Estados Unidos: a queda de confiança nos telejornais


A queda de confiança nos telejornais

Altamiro Borges
14/07/12

Pesquisa do Instituto Gallup revelou que o nível de confiança dos estadunidenses com as notícias transmitidas pela televisão caiu em junho último ao seu nível mais baixo na história. Apenas 21% dos telespectadores responderam que acreditam nos telejornais. O Gallup realiza estas sondagens desde 1993, quando a credibilidade dos noticiários televisivos era de 43%.  Até o início dos anos 2000, o índice se manteve acima dos 30%. Na sequência, ele passou a cair todos os anos.

Vários fatores explicam a decadência dos telejornais dos EUA. O mais citado é o da difusão das novas tecnologias de informação. A internet tem causado estragos não apenas na mídia impressa, com o fechamento de inúmeros jornais, mas também nas emissoras de televisão. Os jovens, principalmente, têm migrado das telinhas da tevê para os computadores. Outras pesquisas já tinham indicado a queda da audiência das emissoras e, até mesmo, a perda no mercado publicitário – o que apavora os donos da mídia.

Crise de credibilidade

Além do fator tecnológico, as gritantes manipulações na cobertura dos telejornais também afetam a credibilidade. É interessante observar que, segundo o Gallup, o nível de desconfiança se acentua a partir do início deste milênio. Em setembro de 2001, com os atentados ao Word Trade Center, as poderosas redes de televisão dos EUA se tornaram veículos da guerra imperialista – onde a verdade é a primeira vítima. Elas passaram a difundir as mentiras do império para justificar as invasões do Afeganistão e Iraque.

As emissoras de televisão do Brasil, principalmente a TV Globo, não estão imunes a estes fatores. A internet se dissemina pelo país e a credibilidade dos seus noticiários também sofre questionamento. A bolinha de papel que virou, segundo o JN da TV Globo, um petardo na careca do tucano José Serra ajuda a explicar a desconfiança crescente. Com  isso, o modelo de negócios das poucas famílias que monopolizam as concessões públicas na televisão também sofre abalos.

Reproduzido de Blog do Miro
14 jul 2012

Barbie: uma imagem que aprisiona


Barbie: uma imagem que aprisiona

Por Lais/Equipe 
13 julho 2012

"Barbie: uma imagem que aprisiona", esse foi o título do meu trabalho de conclusão de curso de Psicologia há alguns anos atrás. Mas, posso dizer que essa boneca loira e linda sempre chamou minha atenção não só pelos belos modelitos que exibia ou por seus 10 cm de quadril e 12,5 de busto. Barbie prometeu a todas as meninas de minha geração um mundo cor de rosa repleto de acessórios e acabou nos aprisionando nesse sonho.

Agora, vamos há um pouco de história.No final dos anos 50 o casal Ruth e Elliot Handler, fundadores da fábrica de brinquedos Mattel, encontraram um nicho de mercado, ainda não explorado, ao observar as brincadeiras de sua filha Barbara de 7 anos com bonecas de papel. Nessa época não existia uma boneca tridimensional de corpo adulto com a qual a criança pudesse fantasiar e realizar seus sonhos. Foi nesse momento que Ruth criou a Barbie e seu mundo "Pink" revolucionando para sempre as brincadeiras das meninas que, até então, brincavam exclusivamente com bebês como um exercício para a maternidade.

Desde a chegada da Barbie nas prateleiras, garotas do mundo todo passaram então a experimentar, em suas brincadeiras, a falsa idéia de que as mulheres adultas podiam ser o que desejassem: médicas, astronautas, bailarinas, mas claro, desde que fossem magras e belas. Assim, a boneca virou o jogo e passou não só a ditar as regras da brincadeira, mas também os desejos da garotada; por esgotar em seu corpo magro, oco e de plástico com as possibilidades de ser, pois passava valores que priorizavam o ter.

Barbie, hoje com mais de 50 anos de idade, continua sendo a boneca mais amada e vendida no mundo todo e acabou conquistando um fã clube de mais de 18 milhões de membros, desfiles inspirados em seus modelos de roupa, exposições em museus mundo afora e até mais de 36 cirurgias plásticas em um único corpo. A estética da Barbie é hoje imposta pela cultura da moda e, principalmente, pelas imagens publicitárias mobilizando milhões de meninas e adolescentes a fazer de tudo para conquistar o corpo ideal vendido como passaporte para a felicidade.

Esse fato é tão verdadeiro que na semana passada um exemplo chegou à maioria dos jornais brasileiros chocando a todos: Duas adolescentes inglesas de 16 anos, da cidade de Crewkerne, chegaram ao baile de formatura do colégio empacotadas dentro de caixas da Barbie em tamanho natural, como verdadeiras bonecas de plástico encenando uma entrada triunfal. As caixas de papelão de 1,80 m X 0,60, com flores pintadas a mão, foram feitas por uma das mães que gastou 250 libras para realizar o sonho das meninas.

Bom, se a intenção era roubar a cena elas conseguiram. A cidade toda parou para vê-las passar, aprisionadas em seu sonho de infância. Onde vamos parar? No baile de formatura! Agora, vale a reflexão... Se de alguma maneira, nós mulheres nos libertamos dos espartilhos de nossas bisavós, as adolescentes da atualidade continuam aprisionadas ao culto do corpo perfeito numa busca incansável pela magreza e felicidade que não lhes dá sossego.

Reproduzido de Consumismo e Infância
13 jul 2012

Leia também:

Barbie: tudo o que você quer ser ou considerações sobre a educação de meninas, por  Fernanda Roveri

Do rosa ao choque

A história da boneca Barbie foi objeto de estudo da dissertação de mestrado da professora Fernanda Roveri. O levantamento agora está no livro Barbie na educação de meninas: do rosa ao choque (Editora AnnaBlume), que será lançado no dia 27 de abri, às 16h30, na Faculdade de Educação da Unicamp, em Campinas.

No livro, a autora discute como meninos e meninas são educados por seus brinquedos e como a publicidade investe em carregá-los de feminilidade ou masculinidade. Enquanto os brinquedos destinados aos meninos propagam ideias de velocidade, destruição e desempenho, os brinquedos feitos para meninas reforçam a maneira sensível e passiva de como estas devem se comportar, reforçando conceitos de domesticidade e beleza como algo inerente ao feminino.

Leia o texto completo em Revistapontocom clicando aqui.

Pesquisa indica que estudantes estão lendo menos


Estudantes estão lendo menos, indica pesquisa

Redação . Infonet
12/07/2012

É preciso fazer ligação entre internet e literatura, defende professora

A ampliação do hábito da leitura entre estudantes brasileiros requer a existência de mediadores preparados que entendam as novas ferramentas tecnológicas para levá-los a fazer a ligação com o mundo em que vivem por meio da literatura. “Nós temos poucos mediadores aptos a entrar neste diálogo, nestes suportes, nestas novas linguagens e que tragam uma herança cultural vastíssima”, disse a diretora adjunta da Cátedra Unesco de Leitura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Eliana Yunes.

Na avaliação de Eliana, que criou a cátedra de Leitura na PUC-RJ em parceria com a Unesco, os estudantes, mesmo no uso da internet, podem dedicar mais tempo à escrita e à leitura do que teriam as pessoas há cerca de 20 anos. “Eles são obrigados a ler, a escrever, a se comunicar”, declarou à Agência Brasil.

Eliane admitiu, contudo, que sem uma mediação adequada, “existe uma simplificação do uso da língua”. A leitura dos estudantes que estão conectados às redes sociais acaba circunscrita a um universo muito estreito ao qual eles têm acesso com facilidade. “Está na onda, está na moda. Tem a coisa da tribo, do grupo”, disse. A professora disse que essa leitura, porém, não têm a densidade necessária para levar os alunos à formação de um pensamento crítico.

Segundo Eliana Yunes, falta a esses estudantes um trabalho de ligação com a leitura criativa ( presente na literatura, por exemplo), algo que pode ser feito pelas escolas e até pelas famílias. “Falta uma mediação que permita que esses meninos tenham acesso, mesmo via internet, a sites muito bons de poesia, de blogs, pequenas histórias, de museus, que discutem música, história”. Sites que, segundo Eliana, permitem que os alunos saiam desse “chão raso” e possam ser levados para uma experiência criativa da linguagem.

“Quem não lê tem muita dificuldade de escrever, de ampliar o seu universo de escrita, de virar efetivamente um escritor”. Como eles têm pouca familiaridade com a língua viva, seria necessário que os adultos se preparassem melhor, buscando conhecer esta nova tecnologia para que a mediação, tanto pela escola como pela família, pudesse ser exercida de forma a partilhar com os alunos leituras de boa qualidade.

A professora disse que a mediação restaura o fio que liga o passado ao futuro no presente destes estudantes. Ela reiterou que a falta de conhecimento de professores e pais desses suportes modernos de comunicação e a falta de habilidade de envolver alunos em uma discussão de um universo mais rico impedem meninos e meninas de desfrutarem uma herança cultural, “da qual eles são legítimos herdeiros”.

“Acho que a questão da escola passa pelo problema da mediação. Se nós não formos leitores de várias linguagens, de vários suportes, nós perderemos realmente o passo com esta geração, que está velozmente à nossa frente, buscando outras linguagens, outras formas de comunicação”. É preciso, sustentou, que os estudantes percebam que a literatura não é um peso ou uma obrigação. “Literatura é vida”.

Para Eliana, a literatura faz falta porque desloca o olhar das pessoas de uma coisa “líquida e certa”, para um lugar de reflexão, de discussão sobre o mundo e a vida humana. Isso pode ser encontrado não só no livro impresso, em papel, como também no livro digital. “Este jogo contemporâneo é muito rico”, disse. “Quanto mais suportes a gente tiver para a palavra escrita e para abrigar a reflexão sobre a condição do ser humano, melhor a gente vai poder abraçar as várias modalidades, que estão vivas, da palavra”.

Pesquisa

De acordo com pesquisa efetuada pelo Instituto Mapear para a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro com 4 mil estudantes e 1,2 mil responsáveis, 93% dos alunos do ensino médio da rede pública do estado tinham celulares em dezembro de 2011 e 78% possuíam computador, sendo que 92% tinham acesso frequente à internet.

Em contrapartida, 14% dos alunos declararam não ter lido nenhum livro nos últimos cinco anos. Entre os que não leram nada, 17% residiam no interior e 12% na região metropolitana. Um livro foi lido no período por 11% dos estudantes; dois ou três livros por 26% e quatro ou cinco livros por 17%.

Entre os alunos que leram mais que um livro em média nos últimos cinco anos, a pesquisa registrou que 14% leram entre seis e dez livros, 8% entre 11 e 20 e 10% leram mais que 20 livros em cinco anos.


Reproduzido de clipping FNDC
12 jul 2012

Leia também:

“Brasileiro lê, em média, quatro livros por ano” na página da Agência Brasil (28/03/12) clicando aqui.

“Hábito de ler está além dos livros, diz um dos maiores especialistas em leitura do mundo”, na página da Agência Brasil (24/06/12) clicando aqui.

domingo, 8 de julho de 2012

Crime de Realengo: o sutiã lilás na tromba do elefante verde e amarelo


Crime de Realengo: o sutiã lilás na tromba do elefante verde e amarelo
                                                                                                
Maria Cristina Schefer [1]
Amanda Motta Angelo Castro [2]
Blasius Silvano Debald [3]

RESUMO: Este artigo, escrito a seis mãos plugadas à rede, examina, do ponto de vista dos estudos culturais: linguagem e gênero, o assassinato de 12 adolescentes brasileiros. Esse crime ocorreu numa única ação, dentro de uma escola, na periferia do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa, praticado por um ex-aluno, evento que inaugurou a presença do Brasil no cenário global das brutalidades gigantescas, aquelas fadadas à não-conclusão. Isso, dado as inúmeras variáveis que atravessam as tentativas de se desenhar um “elefante”, sem nunca ter visto ou sequer tateado o animal. O recorte aqui demarcado e o problema da imprecisão serão delineados na ciência técnica da dificuldade de se enxergar para além do aparente, bem como na verificação dos perigos inerentes à banalização de um crime mediante a disputa pela informação entre a mídia e os órgãos investigativos oficiais. Quando, ambos, passam a supor ou nomear fatos (terrorismo, esquizofrenismo) e “coisas” (crianças-terroristas), no calor da emoção, sem distanciamento e rigor, ignoram, respectivamente, outras possibilidades (crime de gênero-exclusão) (jovens-mulheres) e legitimam aquilo que o senso comum e o Ibope alimentam. Recorre-se, como tentativa de dirigir um olhar ampliado, principalmente, à arte cinematográfica e às lentes de aumento de Gus Van Sant [4] (2003), em seu documentário crítico sobre o “similar caso” de Columbine (EUA).

Palavras-chave: Linguagem. Mídia. Terrorismo. Gênero.

Introdução

A parábola budista Os cinco cegos e o elefante, que conta o desafio que um sábio propôs a cinco cegos, para que descrevessem o paquiderme apenas tateando parte do animal, trata-se de uma analogia (de origem popular) que aponta para a impossibilidade de compreensão de um todo, quando se atém a apenas uma parte. Tal conto serviu de inspiração para nomear o documentário de Gustav Van Sant, Elephant (2003) sobre o crime de Columbine (EUA). Ao utilizarem esse “Elephante” para construir o título deste artigo, sobre o crime de Realengo, os autores (por tabela) imprimiram-lhe a parábola citada. Isso sugere aos leitores estudos preliminares (via cinema e narrativa popular) para a “pesada” leitura que segue. De outro modo, os doutorandos buscaram, nesses mecanismos exploratórios, inspiração para refletir sobre outra questão crucial presente ao longo da história da humanidade: a narrativa de fatos em meio a “cegueiras contingenciais”. Especificamente, no caso do crime brasileiro, é possível verificar o velamento da violência praticada contra a mulher, chamando a atenção para o poder de autoridade social dos relatores, dos informantes, de certos excertos e silêncios textuais, que mudam não apenas a manchete de uma “ocorrência”, mas todo o tratamento dado à questão. Pobres, meninas pobres da “escola” brasileira.

Os fatos

Rio de Janeiro, 7 de abril de 2011. A data no quadro foi escrita. Aparentemente, nenhuma novidade na rotina da Escola Municipal Tasso de Oliveira, situada no bairro do Realengo (zona oeste). Iniciava-se, o que poderia ter sido, mais uma manhã de confraternizações e estudos. Poderia! Não se sabe exatamente, mais ou menos, às 8h30min adentrou, em uma das salas do segundo andar, um suposto palestrante. Tinha um jeito familiar (disseram) e carregava uma bolsa que parecia pesada. Ou ele era pesado?  O fato é que abriu a “tromba” sobre a mesa da professora (que, instintivamente, aguardou pela surpresa próxima da porta); sacou duas armas e começou o que, segundo relatos, pareceu inicialmente uma brincadeira. Uma sequência de mais de cem disparos, nessa e em outra sala, (com pausa para recarregar os revólveres de calibres 38 e 32), ausentou do caderno de chamada, para sempre, 12 adolescentes, dentre eles, dez do gênero feminino. E, desse modo, não foram alvos aleatórios, pois houve uma pré-seleção por parte do agressor; os rapazes foram poupados, bem como as duas professoras. Fato, que foi verificado na perícia, na materialidade do crime, nos depoimentos, pois, segundo os estudantes ainda presentes, o meliante centrou sua fúria na cabeça dasmeninas.  De gaiato ou por identificação, pois memória de elefante é grande, morreram: Igor Moraes da Silva, 13 anos, e Rafael Pereira da Silva, 14 anos. O primeiro sonhava ser jogador de futebol; o segundo, amante de jogos virtuais, estava encaminhando documentação para trabalhar no programa Menor Aprendiz. [5] Algo nesses dois ratinhos (machos) incomodou o assassino.

Já as escolhidas para morrer foram: Mariana Rocha de Souza, 12 anos, estudiosa, jogadora de handebol e de queimada [6] na escola, fã do Restart [7] e de Luan Santana [8]; Ana Carolina Pacheco da Silva, 13 anos, somente reconhecida pela família um dia depois do incidente;Bianca Rocha Tavares, 13 anos, gostava de crianças e sonhava ser pediatra; Géssica Guedes Pereira, 15 anos, jogadora de vôlei na escola, gostava de dançar funk; Larissa dos Santos Atanázio, 13 anos. Na foto fornecida à imprensa, aparece posando para modelo; Laryssa Silva Martins, 13 anos, sonhava com a carreira militar: “Ela queria entrar na Marinha”, declarou um familiar; Milena dos Santos Nascimento, 14 anos, sonhava ser modelo e entrar para a faculdade e, por último, Samira Pires Ribeiro, 13 anos, frequentava a escola de Realengo a menos de um mês. Teriam os pais dessa moça dito, à porta da escola: “Aqui vais encontrar o mundo!” [9] (POMPÉIA, 1996, p. 1). Visto que os problemas sociais de um modo ou de outro acabam se refletindo no comportamento dos estudantes, nas práticas escolares, por mais altos que sejam os muros que uma escola possua, eles são ineficazes no que diz respeito a barrar a violência e outras inferências da sociedade.

Como lido, os mortos tinham sonhos situados e datados, de jovens ordinários, [10] periféricos, crentes nas possibilidades de emersão social futura. Na convergência desses desejos, agora imersos, tem-se a identidade dos estudantes.

Contudo, cabe asseverar que, discursivamente, a adolescência lhes foi negada pela mídia, pela sociedade, pois, ao contrário do que delimita o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal 8.069/1990), como faixa etária da infância:

 Art. 2º. Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade,

Os narradores da tragédia optaram por designar os mortos como crianças, infantes (não falantes). Já, objetivamente, os sobreviventes viraram informantes; doutro modo, os noticiantesnegligenciaram o ECA, no que diz respeito ao uso da imagem de pessoas na faixa etária entre zero e 18 anos: “Art.17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias, crenças, dos espaços e dos objetos pessoais.”

Nesse aspecto, é bom “videolembrar” que uma das “crianças”, um menino, agonizou por cerca de 10 minutos. E, ao que pareceu o seu tamanho (juvenil), não comoveu nem policiais nem outros civis que circularam seu corpo (“sem dó”) após a morte do invasor. Ele não foi salvo,salvou-se, convalesceu por dias numa Unidade de Terapia Intensiva; pouco se ouviu a respeito de sua recuperação. E, talvez, esse jovem seja a única vítima capaz de descrever, não o motivo do crime, mas a dimensão do terror social lá vivenciado. Sofreu ao mesmo tempo diversos ataques: físico, de identidade, de insignificância, de desrespeito.

Paralelamente às informações materiais que, quase em tempo real, foram sendo divulgadas na mídia, as suposições vieram à tona. Instalou-se um “eurekismo” por parte dos jornalistas, “auxiliados” por técnicos das mais diversas áreas, que aproveitaram “as deixas” para palpitarem em rede nacional.  Um crime globalizado! Uma notícia dantesca!

Leia o texto completo no Blog Maria Docente, clicando aqui.

Reproduzido de Blog Maria Docente
06 jul 2012


Leia também em Filosomídia:



"Escola de segurança máxima? - Para educador, a tragédia de Realengo pode reforçar estilo bunker que já entrincheira a sociedade", por Christian Carvalho Cruz . Aliás/Estadão Online (09/02/11) clicando aqui.

"Excesso de violência nas TVs abertas pode causar problemas às crianças", por Priscilla Mazenotti (Repórter da Agência Brasil - 08/12/11) clicando aqui.


"Violência em horário impróprio", por Por Flávia Péret no Observatório da Imprensa (29/3/2011) clicando aqui.

O campeonato midiático-macabro sobre a tragédia acontecida na escola do Realengo em "Perguntas, mortos e feridos" por Washington Araújo no Observatório da Imprensa (12/04/11) clicando aqui.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Quem dá mais pelo público infantil?


Quem dá mais pelo público infantil?

Por Marcus Tavares em 03/07/2012 na edição 701
Reproduzido de O Dia, 30/6/2012; intertítulo do OI

Depois de mais de 30 anos oferecendo uma faixa de programação infantil, de segunda a sexta-feira, pela manhã, a TV Globo mudou sua grade na segunda-feira (25/6). Com a estreia do programa da jornalista Fátima Bernardes, a TV Globinho, programa voltado para as crianças, saiu do ar, sendo exibido, agora, apenas aos sábados. A Globo argumenta que a grade infantil não dá nem audiência nem receita publicitária.

O que exibia a TV Globinho? O programa tinha dois apresentadores jovens, que traziam um tema para dialogar com as crianças. Temas bobos e que subestimavam a inteligência da garotada. Depois disso, eram exibidos os desenhos animados, os enlatados, como “Bob Esponja” e “Kung Fu Panda”.

Na prática, uma programação infantil pobre em qualidade e que demandava pouco investimento. Neste sentido, as crianças não perderam nada.

Aliás, com a mudança, elas, na verdade, ganharam, nas manhãs, mais opções de desenhos enlatados. O canal de Silvio Santos – SBT – anunciou que vai exibir episódios inéditos de “Ben 10” e “Thundercats” noBom Dia & Cia. A Rede TV! e a Bandeirantes reabriram a faixa infantil, também com desenhos importados.

Acesso negado

Com tantas alternativas, o programa da Fátima Bernardes não emplacou. Na média da semana, a programação infantil do SBT ficou em primeiro lugar, sinal de que as crianças estão com o controle remoto nas mãos e que o argumento da TV Globo está errado.

Parece que, na prática, as emissoras não sabem (ou não querem) mais produzir para a criança. Uma pena, pois um projeto interessante vai contar, sim, com receita publicitária e, consequentemente, com audiência. Deixar essas produções para a TV fechada é negar o acesso da maioria das crianças brasileiras, que têm na TV aberta a principal fonte de lazer.

Marcus Tavares é professor e jornalista especializado em Educação e Mídia

03 jul 2012

Proibição da publicidade infantil é discutida na Câmara dos Deputados


Proibição da publicidade infantil é discutida na Câmara dos Deputados

Heloisa Cristaldo
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A publicidade direcionada às crianças foi debatida hoje (3) em audiência pública na Câmara dos Deputados. Tramitando há onze anos, o Projeto de Lei 5.921/01, de autoria do deputado federal licenciado Luiz Carlos Hauly, prevê a proibição de publicidade infantil e a participação de crianças em qualquer tipo de publicidade ou comunicação mercadológica.

A audiência foi marcada pela primeira participação de pais e mães na discussão do assunto. De acordo com a publicitária Taís Vinha, representante do coletivo Infância Livre de Consumismo, a publicidade agrava problemas como obesidade infantil, doenças metabólicas, sexualidade precoce, sedentarismo infantil entre outros problemas relativos às crianças.

“Somos a geração dos superassediados. Da hora que acordam até o momento de dormir, as crianças são bombardeadas pela publicidade do consumo. E cada vez mais as crianças viram alvo de campanhas adultas, pois a publicidade sabe da influência da criança nas decisões de uma casa”, disse Taís Vinha.

Para a psicóloga Roseli Goffman, representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP), até os 12 anos, a criança não tem discernimento para compreender a publicidade. “Somos radicais. Não há necessidade de publicidade para criança, ela deve ser voltada a quem tem poder de compra. Ainda mais no momento atual, em que tanto se discute sustentabilidade e o consumo exagerado. É preciso que se produza o consenso com urgência, antes que tudo esteja na convergência, na internet, na televisão por assinatura”, destacou a psicóloga.

O representante da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Luis Antonik, disse que a consequência do banimento da publicidade infantil será o fim dos programas destinados a esse público. “Os anúncios sustentam a programação infantil. Sem propaganda nós não existimos. Sem publicidade não há programação aberta. É um projeto danoso, pois ignora que as crianças existam”, disse Antonik.

De acordo com Instituto Alana, o conteúdo da publicidade infantil é emotivo e basta 30 segundos para a campanha influenciar uma criança.

O Projeto de Lei mantém as campanhas de utilidade pública referentes à alimentação saudável, segurança, educação, saúde e desenvolvimento da criança no meio social. Após apreciação do relator do projeto na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, deputado federal Salvador Zimbaldi (PDT-SP), segue, em caráter conclusivo, para Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Edição: Rivadavia Severo

Reproduzido de Agência Brasil
03 jul 2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara debate publicidade para crianças com o Coletivo Infância Livre de Consumismo


Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara debate publicidade para crianças

Heloisa Cristaldo
Agência Brasil
02/07/2012

Brasília - Pais e mães que defendem a regulamentação da publicidade infantil serão ouvidos pela primeira vez em audiência na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (3) às 14h30. O grupo participará dos trabalhos da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Casa, que analisa o Projeto de Lei 5.921/01 sobre a regulamentação da propaganda dirigida às crianças.

O coletivo Infância Livre de Consumismo (ILC), que reúne os pais pró-regulamentação, teve pedido acolhido para participar da audiência. “Os pais nunca tinham sido ouvidos pelos parlamentares que discutem os rumos deste projeto. Entendemos a importância desta ausculta, pois é uma forma democrática de a sociedade participar”, disse Mariana Machado de Sá, uma das fundadoras do grupo. Em três meses de atividades, o ILC tem mais de 5 mil seguidores no Facebook e conquistou o apoio do Instituto Alana, da Aliança pela Infância e do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

De acordo com texto do projeto, que tramita em caráter conclusivo, a comunicação mercadológica abrange, dentre outros, a própria publicidade, anúncios impressos, comerciais televisivos, spots de rádio, banners e sítios na internet, embalagens, promoções, merchandising e disposição dos produtos nos pontos de vendas.

O Instituto Alana lidera campanha em favor da vedação de qualquer tipo de publicidade dirigida a menores de 12 anos. A entidade defende que a propaganda de artigos destinados ao público infantil deve ser dirigida aos pais ou responsáveis, pois eles têm maiores condições de discernimento.

As emissoras de rádio e televisão avaliam que as normas existentes, como o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária e o Estatuto da Criança e do Adolescente, são suficientes para regular os anúncios voltados para crianças. Com a campanha Somos Todos Responsáveis, da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), argumentam que é necessário haver uma discussão equilibrada, livre de radicalismos para enfrentar os desafios representados pelas novas mídias.

“Se a ideia é proteger as crianças da mídia não adianta mais desligar a televisão, baixar o volume do rádio e ficar longe das bancas de jornais”, diz Dalton Pastore, presidente do Conselho Superior da Abap. “A questão é mais complexa e merece uma discussão mais profunda, baseada em educação e não em proibição”, complementa.

A audiência será no Plenário 13, da Câmara dos Deputados.

Reproduzido de Agência Brasil
07 jul 2012

domingo, 1 de julho de 2012

O que está em jogo sobre a publicidade infantil no Brasil


O que está em jogo sobre a publicidade infantil no Brasil

Por Mariana Sá, com coleboração de Tais Vinha e Ivana Luckesi

Entenda porque vivemos um momento singular e decisivo para as entidades de proteção à infância e porque o mercado publicitário se esforça por influenciar a opinião pública sobre a não necessidade de novas leis que regulem a publicidade infantil. Queremos compartilhar o que aprendemos sobre o que precisa ser feito por nós para uma Infância Livre de Consumismo.

Como é hoje?

Além do Código Brasileiro deAuto-Regulamentação Publicitária – CBARP existem mais três diplomas normativos que oferecem proteção à criança e ratificam a sua situação única de indivíduo em fase de formação, reconhecendo-a com mais vulnerável que os adultos em relação à publicidade e propaganda. São elas: a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente o Código de Defesa do Consumidor.

Todo o marco legal que busca coibir os abusos em relação à comunicação tem como base princípios éticos e regras gerais, que não são obedecidos por muitos anunciantes, especialmente porque o principal dispositivo legal que regula exatamente as mensagens mercadológicas dirigidas às crianças é um Código de Ética e não tem força de lei.

Por não ter força de lei, o CBARP pode apenas recomendar a suspensão da campanha, nada mais. Além disso, os anunciantes interpretam estes princípios de acordo com seus interesses mercantis, dando pouca ou nenhuma importância à possibilidade de causar prejuízos às crianças brasileiras.

Que Projeto de Lei é esse de que tanto falamos?

Projeto de Lei (PL) 5.921, foi apresentado em 2001, pelo Deputado Luiz Carlos Hauly, com a intenção de inserir um novo texto no Código de Defesa do Consumidor. A proposta original era proibir a publicidade de produtos infantis.

Este PL passou então pela Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) da Câmara. A relatora, Deputada Maria do Carmo Lara, apresentou um texto substitutivo e foi aprovado.

O grande ganho desse texto é que ele compreendeu que apenas restringir a publicidade dos produtos infantis não resolveria o problema, uma vez que a publicidade de produtos adultos também é direcionada para as crianças. E não haveria motivos para restringir a comunicação se o produto infantil fosse anunciado aos pais. É um texto bastante completo, que define o que é uma mensagem dirigida às crianças e inclui punições. Apesar da aprovação da CDC, foi considerado extremamente radical pelo mercado.

O PL da relatora Maria do Carmo Lara foi encaminhado para a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria eComércio (CDEIC). Lá, o relator, deputado Osório Adriano, apresentou um novo substitutivo. Esse novo texto retorna às intenções do PL original e apenas redefine genericamente o que é uma mensagem considerada abusiva, dentro do artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, sem inclusão de nenhuma penalidade para o descumprimento. O texto do deputado é aprovado pela CDEIC em 2009 e encaminhado para a Comissão de Ciência, Tecnologia,Comunicação e Informática (CCTCI) onde está até agora.

Em 2010, deputado Bilac Pinto, então relator do PL 9521/2001, apresentou um novo substitutivo, que representa um meio termo, uma espécie de negociação entre o mercado e o movimento social. Não atende exatamente às demandas da sociedade civil, mas também não agrada ao mercado. Mesmo assim, consideramos o conteúdo um avanço na questão da proteção à infância, tendo mais viabilidade para ser aprovado, do que o primeiro substitutivo.

Contudo, em 2010, o parlamentar não foi reeleito e este texto se perdeu. Agora, o novo relator da CCTCI, o Deputado Federal Salvador Zimbaldi, poderá ou não apresentar um novo texto, aproveitando ou não elementos desse texto do deputado Bilac Pinto ou dos anteriores.

Após análise e aprovação na CCTCI, o PL passará pela Comissão de Constituição e Justiça, que avaliará a constitucionalidade do texto.

Aqui há um fator importante: a CCJ normalmente trabalha em cima do texto aprovado na última comissão. Por isso, este texto da CCTCI que está em aberto é tão importante.

Por este motivo, o mercado publicitário se interessa por influenciar a opinião pública sobre a responsabilidade exclusiva da família em mediar o consumo de mídia junto aos filhos e tentar incutir entre nós, pais e mães, os argumentos sobre a tutela estatal sobre as famílias, a censura da livre expressão comercial e a inviabilidade econômica da programação infantil.

Por isso, precisamos lutar para que esse texto contemple a proteção da infância.

Porque gostamos deste texto perdido?

Primeiro porque o texto Bilac Pinto está em perfeita harmonia com os demais diplomas de proteção à infância e ao consumidor (CF, ECA e CDC), em prevendo a aplicação subsidiária desses dois diplomas no seu artigo 10. Isto interessa especialmente a pais, mães e cidadãos preocupados com o futuro.

Além disso, o texto é objetivo; declara, de cara, a vulnerabilidade das crianças e adolescentes, chamando a atenção para que essa questão seja considerada (art. 2º); define, claramente, a propaganda comercial que pode ser nociva à saúde física e mental de crianças e adolescentes (art. 3º); caracteriza o que é a “propaganda comercial dirigida majoritariamente a crianças e adolescentes”, trazendo hipóteses amplas (o que é bom, porque fecha o cerco) e exigindo a presença de apenas uma delas para configurar esse tipo de propaganda.

Estamos convencidos que a aprovação de uma Lei com um conteúdo como este vai ampliar as possibilidades de controle, porque quem vai fiscalizar o cumprimento da lei e aplicar as sanções administrativas serão os órgãos integrantes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, a exemplo dos PROCONs, que seria a autoridade responsável pelo processo administrativo correspondente  e não um Tribunal de Ética composto, em sua maioria, pelos maiores interessados no incentivo ao consumo.

Vai facilitar, também, a fiscalização pela sociedade, porque será muito mais fácil denunciar perante um órgão que já se conhece e se confia, de amplo acesso ao consumidor, sem embargo das possibilidades de discussão pelo Ministério Público e da apreciação pelo Poder Judiciário.

O aprendemos neste mês de militância?

Na longa jornada que um projeto de lei percorre até ser ou não votado, as comissões tem autonomia para modificar ou substituir os textos, sem necessariamente aproveitar os relatos das comissões anteriores. Por exemplo, o texto da deputada Maria do Carmo Lara pode ser completamente esquecido se nenhum deputado resolver puxar elementos dele na última comissão. Como este texto que gostamos não está em jogo, a prioridade agora é colocá-lo de volta na mesa. Tudo depende da influência que o mercado publicitário, as entidades de proteção à infância e, principalmente, a opinião pública possam exercer sobre os congressistas. Atenção: a opinião pública somos nós!

No nosso ponto de vista existem quatro prioridades:

A primeira é assumirmos que a autorregulação nos moldes atuais não funciona. E o controle da publicidade infantil passe a ser de toda sociedade e não apenas de publicitários e anunciantes.

A segunda é que a restrição seja em relação ao público-alvo da mensagem. Assim, a comunicação dos produtos, independente de serem infantis, deverá ser direcionada aos adultos responsáveis pela compra e não aos pequenos, não prejudicando assim a cadeia produtiva ou o mercado publicitário.

A terceira é que sejam criadas regras mais explícitas que as atuais. Por exemplo, o Código de Defesa do Consumidor prevê que a publicidade que se aproveita da ingenuidade da criança pode ser considerada ilegal. No entanto, não fica claro o que significa “se aproveitar da ingenuidade da criança” e isso dá margem a diversas interpretações.

A quarta é estabelecermos punições rigorosas para anunciantes, agências de propaganda e veículos que desobedecerem a Lei. A contrapropaganda (veiculação de mensagem que repare a comunicação inadequada, na mesma frequência, nos mesmos programas e com o mesmo investimento feito anteriormente) é uma boa penalidade, pois a reparação é proporcional ao dano.

Proteger a infância é dever não apenas dos pais, mas de toda a sociedade.

Tutela significa proteção. O maior argumento dos publicitários é que a aprovação de uma lei como esta significaria admitir que o Estado é quem tutela as crianças. Pois sim! Nesse sentido, consideramos que proteger a criança é papel, também, do Estado. E cabe a este, ainda, a tutela administrativa das relações de consumo, no sentido de fazer valer as regras de proteção ao consumidor (e aqui seriam alcançados os publicitários, as empresas, fornecedores, veículos etc.).

Não é tampouco, uma tentativa de censura: limites para a liberdade de expressão comercial de produtos lícitos já existem para outros setores que reconhecidamente causam prejuízos à sociedade. A liberdade de expressão comercial não pode e não deve ser confundida com liberdade de expressão e com o livre pensamento, estes sim inalienáveis!

É natural que o mercado não queira interferências, afinal o setor infantil vale bilhões. Mas a causa que nós, pais e mães, defendemos é ainda mais valiosa: a dignidade e o futuro dos nossos filhos.

Nós, mães e pais, temos o direito soberano de educar nossos filhos, sem que nossos valores tenham que competir, muitas vezes em desigualdade, com os valores sedutores das mensagens publicitárias. Queremos mais equilíbrio nessa relação.

Nós, mães e pais, temos também o direito de participar de qualquer discussão que envolva nossas crianças, sem que nossa opinião seja minimizada, ridicularizada ou desmerecida.

Nossa missão é acompanhar de perto os caminhos do PL 5921/2001, aprender mais sobre publicidade infantil, compartilhar experiências e desmistificar as bravatas feitas por quem quer que seja, nem que isso leve mais dez anos.

(*) Mariana Sá é publicitária, mãe e escreve no blog viciados em colo, Tais Vinha é mãe e escreve no blog Ombusdsmãe, e Ivana Luckesi, é advogada, mãe e escreve no blog Coisa de Mãe. As três são colaboradoras da Comunidade Infância Livre de Consumismo.

05 mai 2012