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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Tirania midiática: democracia e os limites da opinião


"A manipulação da opinião é clara nas tiranias. Nas democracias, ela precisa se travestir. Isto porque é um contra-senso lógico manipular informações e opiniões, no lugar de ouvir e polemizar com o contraditório, até se chegar a um consenso ou a algo próximo disto. Para alguém autoritário, é mais simples baixar a espada do poder ou da lei, ferindo a verdade dos fatos, das evidências ou das opiniões contrárias.

(...)  Os sensos comuns retro-alimentados pelas mídias falam, sem provar, da existência da opinião pública, um conceito ligado à publicidade e à idéia de uma sociedade sem oscilações e diferenças profundas. É verdadeiro que se possa alcançar um consenso relativo sobre uma marca de cerveja. É muito mais difícil provar que na mesma sociedade tudo seja tratado como um produto consumido de modo hegemônico.

Por isso rejeita-se a idéia da existência de uma opinião pública. O que existiriam seriam múltiplas opiniões comuns e especializadas. As primeiras seriam as crenças hegemônicas e consensuais próprias de determinados segmentos sociais e regionais. As segundas seriam as proferidas e sustentadas pelos profissionais da opinião, tais como os jornalistas, juízes, políticos, professores e outros intelectuais".

Luís Carlos Lopes

25 jul 2007


Leia o texto completo no Blog "Notícia da Fonte, 100% pura" clicando aqui.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Formação de opinião: revisitando o poder da mídia


Parece não haver dúvida de que a mídia tradicional não tem mais hoje o poder de "formação de opinião" que teve no passado em relação à imensa maioria da população brasileira. E por que não?


Um texto clássico dos estudos da comunicação, escrito por dois fundadores deste campo, ainda na metade do século passado, afirmava que para os meios de comunicação exercerem influência efetiva sobre os seus públicos é necessário que se cumpram pelo menos uma das seguintes três condições, válidas até hoje: monopolização; canalização ao invés de mudança de valores básicos, e contato pessoal suplementar. Com relação à monopolização afirmam:



"Esta situação se concretiza quando não se manifesta qualquer oposição crítica na esfera dos meios de comunicação no que concerne à difusão de valores, políticas ou imagens públicas. Vale dizer que a monopolização desses meios ocorre na falta de uma contrapropaganda. Neste sentido restrito, essa monopolização pode ser encontrada em diversas circunstâncias. É claro, trata-se de uma característica da estrutura política de uma sociedade autoritária, onde o acesso a esses meios encontra-se totalmente bloqueado aos que se opõem à ideologia oficial" [cf. Paul Lazarsfeld* e Robert K. Merton, "Comunicação de massa, gosto popular e ação social organizada" in G. Cohn, org. Comunicação e Indústria Cultural; CEN; 1ª. ed., 1971; pp. 230-253].

Leia o texto completo de Venício Lima na Carta Maior clicando aqui.
* Foto: Paul Lazarsfeld