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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Folha de São Paulo: Audiência e falta de anunciantes reduzem os infantis globais


Audiência e falta de anunciantes reduzem os infantis globais

Anna Virginia Balloussier*
Folha de S. Paulo
De São Paulo
08/04/2012

Querida, encolheram as crianças. Na TV aberta, ao menos, a programação para essa faixa etária ficará em breve mais "baixinha".

A Globo, que já colocou em sua linha de frente programas como "Vila Sésamo" e "Xou da Xuxa", argumenta agora que a grade infantil não dá nem audiência, nem receita publicitária. E decidiu acabar com os 60 minutos diários dedicados à criançada.

Com os desenhos "Homem de Ferro" e "Bob Esponja", a "TV Globinho" sairá das manhãs de segunda a sexta -continua aos sábados, com "Sítio do Picapau Amarelo" e "Turma da Mônica".

Abre espaço para o programa de Fátima Bernardes, que deve estrear no segundo semestre, vizinho ao Ana Maria Braga. É comum que "Globinho" empate com "Hoje em Dia", feminino da Record.

A Globo diz seguir tendência internacional: deixar os pequenos para a TV paga. Seria um espaço menos sujeito a controle externo, como classificação indicativa, sugerida pelo governo, e proibições à publicidade infantil (como limite à propaganda de alimentos e ao uso de desenhos para "seduzir" o público-alvo).

Dos dez canais por assinatura mais assistidos em fevereiro, quatro eram para menores -campeão (Discovery Kids) e vice (Cartoon) inclusos.

"O segmento infantil está na TV paga porque lá não tem censura nem restrição à propaganda", diz à Folha Luis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação.

CADA UM NO SEU GALHO

As crianças ainda veem TV, como prova o "boom" de canais pagos. A Globosat se prepara o lançamento do canal Gloob. Na "Globo mãe", afirma Erlanger, "não estamos deixando de fazer programação que interesse à criança, mas que interesse apenas à criança".

Para especialistas, a Globo largou o osso justamente por falar a um público genérico demais. Ex-secretário do Audiovisual (em 2010), Newton Cannito diz que "a programação precisa ser muito segmentada dentro do próprio segmento". Pais com filhos de várias idades sabem direitinho do que ele está falando.

"São diversas faixas etárias que concorrem entre si. Até os seis anos é uma. Dos sete aos dez, é outra. E ainda começa uma subdivisão entre gêneros: o que agrada ao menino não agrada à menina."

Para piorar, na TV aberta, o modelo é baseado na venda de anúncios, com pouco "branding" - basicamente, a gestão de uma marca de modo que ela grude como chiclete na cabeça do consumidor.

Exemplo: se você quer vender uma Barbie, cria um universo em volta dela (de desenhos temáticos a virais na internet), em vez de comerciais tradicionais de 30 segundos.

Outra brecha: os canais pagos avançam a passo largo, mas ainda atingem menos de 25% da população. E o resto da garotada, assiste a o quê?

A tendência é que as emissoras abertas foquem em seus pontos fortes. Em março, o diretor-geral da Globo, Octávio Florisbal, já disse que o SBT faz "muito bem" a grade infantil. O canal dedica sete horas diárias ao gênero e detém o pacote Disney/Warner.

Em sua autobiografia, o ex-executivo global José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, questiona: "Com tantos canais [...] transmitindo toneladas de lixo estrangeiro, não seria a hora de as redes abertas deixarem esse tipo de produto apenas para o sábado, quando não há aula?".

Indaga, por fim, se "deu curto-circuito na babá eletrônica". O apagão já começou.


*Colaborou Elisangela Roxo


Reproduzido de Clipping FNDC
08 abr 2012

Grifos de Filosomídia

Comentários de Filosomídia:

Pois então, se para a Globo os canais de TV aberta estão mais sujeitos ao controle externo "como classificação indicativa, sugerida pelo governo, e proibições à publicidade infantil (como limite à propaganda de alimentos e ao uso de desenhos para "seduzir" o público-alvo)", e seus "investimentos" em programação infantil se farão em seu canal fechado - Gloob a inaugurar - resta saber se a rede de televisão estará respeitando os princípios éticos e determinados em lei em relação à classificação indicativa e publicidade infantil.

Se a estratégia da Globo passa por seguir essa tendência mundial (onde há controle externo e legislação específica de proteção aos direitos das crianças em relação à programação de TV e publicidade), e sabendo que no Brasil a completa desregulação em relação a isso favorece que na TV aberta ou  fechada é ainda possível de desrespeitar ostensivamente aqueles princípios éticos, não seria de se supor que as crianças ainda sejam vistas apenas como mera consumidoras de produtos anunciados no decorrer da programação?

O debate está posto sobre o controle social nos meios de comunicação e, o que não se pode "apagar" é a luta pela dignidade e repeito aos direitos humanos das crianças e adolescentes em relação aos meios de comunicação. 

Como estamos no Brasil, país da desregulação dos meios de comunicação e da falta de compromisso de seus políticos em defender os direitos das crianças e adolescentes, país onde a própria Justiça se faz de cega aos desrespeitos da legislação internacional e nacional e abre os olhos para as determinações do mercado, creio que muita luta será ainda necessária para se ter que seja o mínimo compromisso ético dos homens e mulheres em cargos públicos a defender e promover a dignidade dos direitos.

Sabidamente, não é a criança na dignidade de seus direitos que é esquecida pela programação infantil na TV, aberta ou fechada. Muito pelo contrário, o pequeno, mas grande e ávido consumidor é que é visado pelas redes de comunicação que no final das contas quer lucrar em cima de uma programação infantil que atenda aos interesses do mercado.

A questão é de estratégia para o lucro, e de aumentar esse lucro através de cooptar mais assinantes na TV paga. Ora, a Rede Globo, Fox, Net, Sky não são farinha do mesmo saco, empresas de um mesmo dono?

Que as crianças não se "afoguem" nesse maremoto de publicidade infantil que virá disfarçada de programação destinada especificamente para elas. Glub... glub... glub...

Pela classificação indicativa dos telejornais, pela não erotização precoce, pelo fim da violência na TV, já!



domingo, 25 de março de 2012

Mídia televisiva e democracia: a perspectiva da comunicação como um direito humano


Mídia televisiva e democracia: a perspectiva da comunicação como um direito humano*

Larissa Carvalho de Oliveira (UFG)**

Resumo

A partir de uma perspectiva crítica acerca da produção midiática em nosso país, este trabalho busca enfatizar a legitimidade  de anseios sociais de democratização dos meios de comunicação. Nesse sentido, há de se ressaltar o caráter humanista que deveria pautar tais veículos comunicativos, em contraste com ideais mercantis e concentracionistas, predominantes no setor midiático. Inicialmente abordamos sobre determinadas consequências do cerceamento de reflexões e integração do público em relação ao conteúdo transmitido pelos meios de comunicação. Com isso, evidencia-se a falácia do discurso de censura da mídia, afinal quem seriam os censurados? Na sequência, são consideradas algumas justificativas sustentadoras do entendimento da comunicação como um direito humano. A sociedade civil brasileira tem sido mantida apartada das decisões no âmbito comunicativo, seja no que tange ao sistema de outorgas de concessões para o funcionamento televisivo, seja no processo de seleção ou produção de conteúdos. Por fim, em um exemplo de participação popular em discussões envolvendo a comunicação social, consideramos a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), analisando certas propostas que refletem o interesse social por atuar efetivamente nos meios de comunicação.

*Trabalho apresentado no Simpósio Temático “Meios de comunicação, direitos humanos e democracia” do II Congresso Internacional de História da UFG/Jataí, sob orientação da Professora Msc. Rosane Freire Lacerda, do curso de Direito da UFG, Campus Jataí. 2011.

**Aluna do quarto período do curso de graduação em Direito da UFG, Campus Jataí.

Texto completo disponível para leitura clicando aqui.

Leia também:

"A comunicação como direito humano: um conceito em construção", dissertação de Raimunda Aline Lucena Gomes, apresentada ao Programa de pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (2007) na página do DHNET clicando aqui.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Infância na programação da TV brasileira: “A TV perdeu a vergonha”


“A TV perdeu a vergonha”

Por Marcus Tavares

Daniel Azulay é um nome conhecido por muitas gerações. Desenhista, músico e arte-educador brasileiro, ele foi o criador da Turma do Lambe-Lambe, que invadiu a programação infantil brasileira entre as décadas de 70 e 90. O programa misturava desenho, histórias e um quadro bem popular, o mãos mágicas, que ensinava as crianças a criar.

Longe da TV, Daniel vem realizando exposições de arte contemporânea no Brasil e no exterior, incluindo projetos sociais de arte-educação. Acaba, inclusive, de lançar o livro de arte ‘A porta’. Por sua vez, a Turma do Lambe-Lambe, que ganhou versão animada, pode ser vista no Canal Futura e na TV Ra-Ti-Bum.

A revistapontocom conversou com o desennhista sobre o atual momento da programação infantil na TV aberta brasileira. Para ele, “a TV hoje em dia perdeu a vergonha, todo mundo sabe que virou um balcão de negócios onde o dinheiro pode tirar um telejornal do ar no horário nobre e transmitir, em rede nacional, um programa religioso para dizimistas”.

Acompanhe:

revistapontocom – Como você avalia a história da programação brasileira voltada para as crianças?

Daniel Azulay – Do ponto de vista de conteúdo educativo, nos programas antigos existia sempre a preocupação educativa e por que não dizer, ética e moral de contribuir de forma construtiva com a formação das crianças. Era muito comum em produtos ou programas infantis incluir o rótulo “Educa-diverte-instrui”. Havia também a dramatização com adaptação para a TV de autores de literatura infantil como o Teatrinho Trol e apresentadores como Gladys e seus bichinhos, Capitão AZA, National KID, Circo do Carequinha e Capitão Furacão.

revistapontocom – E hoje, há espaço de qualidade para a infância na programação da TV brasileira?

Daniel Azulay – Espaço sempre há se houver boa vontade e respeito pela criança que assiste à televisão.  Enquanto as emissoras olharem a criança apenas como produto, como alvo de merchandising e objeto de consumo, estamos crescendo como o rabo do cavalo, para baixo no nível da mediocridade que está aí.

revistapontocom – Por que, nos dias de hoje, programação infantil na TV aberta se resume a desenhos animados e em sua grande maioria estrangeiros?

Daniel Azulay - É facil entender: porque é mais barato quando não é de graça, e ainda gera lucros. As emissoras de TV adoram chamar programa de criança como “Sessão Desenho”. Os desenhos animados de praticamente todas os canais não custa um centavo para as emissoras. Há uma enorme disputa e oferta mundial para distribuir esses desenhos. Tudo para veicular os personagens de licensing e merchandising que geram fortunas em dinheiro para os distribuidores e emissoras que repartem percentuais das vendas milionárias de lancheiras, mochilas, cadernos, livros, brinquedos etc. As crianças, pobres coitadas, imploram aos pais que comprem tudo o que elas assistem na TV. Haja salário familiar e compensação afetiva para cobrir todas essas compras de produtos que escoam nas prateleiras na chamada “venda emocional”. Os americanos incluem o rótulo que atesta “a fama” do produto “As seen on TV”.

revistapontocom – Eis o motivo pelo qual a Turma do Lambe Lambe não tem espaço hoje na TV aberta? Ela está no Futura e na TV Ra ti bum, certo? Foram feitas 104 tiras animadas da Turma Lambe Lambe, não foi?

Daniel Azulay – Na minha opinião, para voltar à telinha em rede nacional é mais fácil eu fundar uma igreja, bolar um programa de Baile Funk e comprar horário na TV ou inventar um Carnê do Baú, como o Silvio Santos fez para comprar sua emissora de televisão. Aí como dono de uma emissora, eu poderia continuar a apresentar meu programa para crianças como sempre gostei de fazer. A TV hoje em dia perdeu a vergonha, todo mundo sabe que virou um balcão de negócios onde o dinheiro pode tirar um telejornal do ar no horário nobre e transmitir, em rede nacional, um programa religioso para dizimistas. A televisão aberta, como um todo, está tão abandonada que até o governo se esqueceu de que tem obrigação de fiscalizar a programação das emissoras. Não sou pessimista, sou realista. Infelizmente a mediocridade está tão disseminada nas cabeças que dirigem  nossas emissoras que a única coisa que sabem administrar é a cultura do “quanto-eu-levo-nisso” ou do maior lucro que posso gerar a curto prazo. Afinal de contas a TV é de graça, o telespectador não paga para ver a TV aberta. É triste ver que a programação de um modo geral reflete a linha de montagem de fórmulas desgastadas, os mesmos formatos, os mesmos protagonistas, nivelando por baixo a criação artística. Só para lembrar, não é de hoje que adultos, jovens e crianças não têm espaço para mostrar e divulgar seu talento na televisão. Mas nem tudo está perdido. De tão supérflua, a TV aberta caminha para a obsolescência, pois não compete com a TV do primeiro mundo, a TV a cabo altamente avançada em conteúdo, inovação e informação. Meu trabalho de TV hoje se resume a reprises no canal Futura e na TV Rá-Tim-Bum.

revistapontocom – E a sua opinião sobre desenho animado, os quadrinhos? Como você analisa o atual mercado brasileiro voltado para a infância? Há espaço para novos autores? Novas propostas?

Daniel Azulay – É um mercado em franca expansão. Carlos Saldanha e o sucessos da Era do Gelo e Rio, lavaram a alma não só de todos nós brasileiros como tb um orgulho da nossa capacidade técnica e artística para o mundo.

Reproduzido de Revistapontocom
07 fev 2012

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Daily Míllor: a má TV piora até o analfabeto...


Inegável que a leitura melhora o ser humano. Desde que ele seja alfabetizado. Já a má TV piora até o analfabeto.

Millôr Fernandes


Veja Millôr no UOL clicando aqui e no Twitetr clicando ali.

Veja também "10 razões para desligar a TV" por Motivated Sista (2009, em inglês) clicando aqui.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Mídia e educação: a cobertura jornalística em foco


"É frequente ouvirmos, dos mais diversos atores, a assertiva de que educação é prioridade. As autoridades ou especialistas são unânimes em apontar esse tema como um dos principais desafios para que o Brasil alcance melhores indicadores de desenvolvimento humano e social. Seja a tradução de uma opinião qualificada, ou a verbalização de uma “frase feita”, que dificilmente encontrará um opositor, de fato, a educação ganhou – especialmente a partir de meados da década de 1990 – status de “problema nacional”.

Certamente a trajetória de redemocratização do país, bem como a emergência de uma nova noção de cidadania dela decorrente (Dagnino, 1994), foram elementos de fortalecimento da educação como um direito de crianças, adolescentes, jovens e adultos. A ótica dos direitos é um divisor de águas, não apenas no sentido de colocar, na letra da lei, a obrigatoriedade por parte do Estado de prover as demandas sociais, mas, sobretudo, por legitimar e impulsionar o desenvolvimento de políticas públicas específicas para a efetiva universalização do acesso, dessas demandas, a todos os cidadãos.

Associado a esse processo de transformações, movidas pela redemocratização, esteve o reconhecimento de crianças e adolescentes como sujeitos de “absoluta prioridade” para a família, a sociedade e o Estado – como define a Constituição de 1988 em seu Artigo 227. Não somente na área da educação, mas em todas as outras, esse público foi definido pelo legislador como alvo preferencial de intervenção. Em seu artigo 4º, o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, busca definir por onde caminha essa priorização:

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:

. primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
. precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;
. preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;
. destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude.

Se, por um lado, não é um grande esforço defender a educação como um direito prioritário de crianças e de adolescentes, a produção de uma convergência de esforços, que efetivamente promova mudanças nessa área, é um passo a ser cotidianamente perseguido. Por ser uma área em que a maioria dos resultados é colhida a longo prazo, nem sempre é fácil convencer administradores públicos ou a própria sociedade da importância do investimento no setor (Andi, 2009).

A educação na agenda pública

A formulação e a implementação de políticas públicas apresentam-se como parte de um processo complexo e multifacetado1. Tendo em vista as várias etapas constitutivas desses instrumentos, a literatura que se debruça sobre o tema tem se aprofundado, cada vez mais, sobre um eixo primordial: o estabelecimento da ordem de prioridades da agenda pública como um dos elementos iniciais a serem considerados, no processo de deliberação e ação dos decisores."

Fabio Senne

Leia o artigo completo na Com Ciência, Revista Eletrônica de Jornalismo Científico, SBPC, clicando aqui.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Festival Globale Bogotá 2011: miradas críticas y emancipadoras


La Convocatoria de Globale Bogotá 2011 es el proceso para que realizadoras/es o productoras/es inscriban sus videos, los cuales deben presentar realidades sociales a nivel local (Colombia), regional (América Latina) o mundial, que aporten a la reflexión y análisis crítico dentro de los ejes temáticos del Globale Bogotá 2011.

Los videos deben ser realizados o subtitulados en idioma español.

Leia mais sobre o evento clicando aqui.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A ditadura do pensamento único


"A comunicação é um direito universal. Todo ser humano deve ter assegurado o direito a se comunicar. As instituições que organizam a sociedade, todas criadas pelos próprios seres humanos em suas relações, precisam atuar para garantir direitos como esse. Em última instância, tudo o que as pessoas fazem durante sua vida é comunicar-se. A comunicação é a própria expressão do ser e, por isso, um ser humano só é respeitado como tal quando tem pleno direito a se comunicar. Porém, esse direito é diretamente atacado quando uma dezena de famílias decide tudo o que pode ser dito. É o que acontece no Brasil.

Os meios de comunicação têm por função primeira expandir o direito à expressão de forma que as palavras que dizemos alcancem mais do que permite a limitada voz humana. Por que alguns tem mais direito à voz do que outros? O que faz com que famílias contáveis nos dedos das mãos detenham a totalidade do direito de comunicar-se com um grande número de pessoas ao mesmo tempo, enquanto esse grande número de pessoas tem direito de comunicar-se apenas até onde sua voz humana permite? No Brasil, quem decide quem pode o que é o dinheiro e a influência política que os indivíduos detém.

(...) Todas as grandes empresas brasileiras de comunicação são diretamente sustentadas por grandes grupos empresariais de outras áreas. São as elites econômicas, aliadas às elites políticas, lutando pela manutenção de seu status social diferenciado, superior, dominante. Financiadas pelos mesmos grupos e direcionadas no mesmo interesse fundamental, as grandes empresas de mídia, ainda que tenham variações qualitativas temporais ou umas em relação às outras, afinam o discurso para construírem juntas o mesmo pensamento social. É o discurso único, sempre formulado a partir de parâmetros individualistas, competitivos e alienantes.

Com a mídia concentrada nas mãos de tão poucos, e considerando-se que estes poucos produzem, ainda que com variações, o mesmo discurso, aqueles muitos que já não tinham o direito de se comunicar com outros muitos – por não terem acesso à veiculação de conteúdo em veículos de mídia –, perdem também o direito a expressarem suas próprias opiniões aos parentes, vizinhos e amigos. Isso porque perdem a autonomia até para pensar. A voz que sai de sua boca já não é sua. Transformam-se todos, em diferentes níveis, em bonecos de ventríloquo, sentados no colo das poucas famílias que mandam no Brasil e nos brasileiros. Está constituída a ditadura".

Alexandre Haubrich . Canal VM TV
18 mar 2011

Leia o texto completo clicando aqui.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A escola e a análise da informação na TV


"Um dos campos mais interessantes de utilização do vídeo para compreender a televisão na sala de aula é o da análise da informação, para ajudar professores e alunos a perceber melhor as possibilidades e limites da televisão e do jornal como meio informativo.

O professor pode propor inicialmente algumas questões gerais sobre a informação para serem discutidas em pequenos grupos e depois no plenário.

- Como eu me informo.
- Que telejornal prefiro e por que.
- O que não gosto deste telejornal e gostaria de mudar.
- Que semelhanças e diferenças percebo nos vários telejornais.
- Que análise faço dos dois principais jornais impressos.

Pode-se fazer uma análise específica de um programa informativo da televisão (por exemplo, do Jornal Nacional) e de dois jornais impressos do dia seguinte. O professor pede a um dos alunos que anote a seqüência das notícias do telejornal e, a outro, que cronometre a duração de cada notícia.

Depois da exibição, o professor pede que os alunos se dividam em grupos e que alguns analisem o telejornal e pelo menos dois analisem os jornais impressos (cada grupo um jornal).

Questões para análise do telejornal

- Que notícias chamaram mais a sua atenção (notícias que sensibilizaram mais, que marcaram mais). Por que.
- Que notícias são mais importantes para cada um ou para o grupo. Por que.
- O que considerou positivo nesta edição do telejornal (técnicas, tratamento de algumas matérias, interpretação...).
- De que discorda neste telejornal (de algumas notícias em particular ou em geral).

Questões para análise do jornal impresso

- Notícias mais importantes para o jornal (quais são as mais importantes da primeira página). Que enfoque é dado?
- Que notícias coincidem com o telejornal (a coincidência é total ou há diferenças de interpretação?).
- Que notícias são diferentes do telejornal (notícias que o telejornal anterior não divulgou)?
- Qual é a opinião do jornal nesse dia (análise dos editoriais, das matérias, que normalmente estão na segunda ou terceira página e não estão assinadas)?

O professor pode reconstruir a seqüência das notícias por escrito na frente do plenário e pede ao cronometrista que anote a duração de cada matéria.

Cada grupo coloca no plenário as respostas à primeira questão. O professor procura reconstruir com todos os alunos as notícias mais importantes para a emissora e para o jornal impresso. Vê as coincidências e as discrepâncias. Convém analisar a notícia mais importante com calma, exibindo-a de novo, observando a estrutura, as técnicas utilizadas, as palavras-chave, a interpretação. E assim vão respondendo às outras três questões, sempre confrontando a informação da televisão com a do jornal impresso, observando as omissões mais importantes.

Com esta análise não se chega a uma visão de conjunto, mas se percebe a parcialidade na seleção das notícias, na ênfase dada, na relativização da informação, na espetacularização da televisão como uma das armas importantes para atrair o telespectador"
.

José Manuel Moran

Leia o texto completo no Blog "Mídias na Educação" clicando aqui.


Leia também "Televisão e escola" clicando aqui.

Desconstruindo a neutralidade para construir um novo discurso


"Ao dizer-se neutra, a imprensa dominante age em dois sentidos diretos: faz crescer seu potencial mercado consumidor ao mesmo tempo em que defende os interesses da maioria de seus anunciantes, intimamente vinculados com os grupos hegemônicos nacionais e internacionais. Em todos os setores específicos e em sua totalidade, o capitalismo exige que muitos pereçam para uns poucos dominarem, e na disputa aqui analisada essa dinâmica não poderia ser diferente. Se essa grande mentira traz vantagens político-econômicos às grandes empresas de comunicação, aos seus anunciantes e a todos os que se beneficiam do sistema em vigor, por outro lado traz prejuízos aos leitores e à inteligência coletiva, ao desenvolvimento total da sociedade e aos grupos historicamente explorados.

A mídia é, juntamente com a igreja, a escola e a família, um dos pilares fundamentais da construção da realidade pela qual cada indivíduo passa a partir do momento em que nasce. Considerando-se o conservadorismo natural das outras três instituições, é na mídia que reside o maior potencial de mudança. Porém, estabelecida como entidade publicitária das grandes empresas nacionais e multinacionais, do agronegócio e das elites políticas e econômicas de modo geral, a mídia dominante disfarça-se de imparcial para defender tais interesses, e cumpre o papel de simples transmissor do discurso hegemônico opressor e antipopular".

Alexandre Haubrich para o Canal MV TV

Leia o texto completo clicando aqui.

Conheça a página do Jornalismo B clicando aqui.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Homo Videns: Televisão e Pós-pensamento, de Giovanni Sartori


Liberais contra a TV?

Nos anos 1970/80, era da esquerda — em especial a marxista — que procediam as críticas mais ferozes aos media, particularmente à televisão. Na esteira da Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer e Marcuse), alguns estudiosos e ideólogos denunciavam a "indústria cultural" como serviçal do capitalismo, não menos que a ciência e a técnica. Outros, seguindo Althusser, viam a televisão como mero "aparato ideológico do Estado", que, tal como a escola, tinha por objetivo "inculcar" a ideologia dominante. E havia também os que, apegados ao conceito de "indústria da consciência", elaborado por Hans Magnus Enzensberger, vislumbravam um caminho de mão dupla: os "meios de comunicação de massa" podiam, sim, ser utilizados em sentido "emancipatório", isto é, numa perspectiva socialista — a bem da verdade, algo que os seguidores de Gramsci, por sua vez aferrados ao conceito de "hegemonia", já tinham percebido bem antes do ensaísta e poeta alemão.

A partir dos anos 90, porém, ocorre um deslocamento ideológico da crítica. Curiosamente, agora são os liberais a tomar a televisão como alvo de tiro. Tudo começou com o filósofo Karl Popper, um dos maiores epistemólogos do século XX, abominado pelos marxistas por seu suposto "positivismo" e malvisto pelos conservadores por sua impaciência com as ideologias, as religiões e a metafísica. Defendendo a criação de "uma lei para a televisão" (cf. Televisão: Um Perigo para a Democracia, Gradiva, 1995), o teórico da "sociedade aberta" chegou a reivindicar uma maior presença dos organismos de Estado em relação à TV (logo ele, politicamente um liberal!).

Apesar de lhe terem atribuído a exigência de censura, o que Popper realmente queria era chamar a atenção para um ponto essencial: na democracia não há poder político sem algum controle. E a TV, dizia o filósofo, exerce um tremendo poder político, "potencialmente o mais importante de todos, como se tivesse substituído a voz de Deus". Para Popper, esse meio "adquiriu um poder demasiado vasto" — e nenhuma democracia pode sobreviver a tal "onipotência".

Não é insensato afirmar que todos os poderes políticos, numa democracia, devem ter alguma forma de controle público. O que se discute é quem exercerá esse controle para que se evitem excessos. No caso da TV, o Estado, embora sendo o poder concessor, certamente não é a melhor indicação, mesmo sob governos democráticos (nas ditaduras, pior ainda). A solução talvez seja a auto-regulamentação, isto é, atribuir essa responsabilidade às próprias empresas de comunicação e aos profissionais que nela trabalham, ou adotar a co-regulamentação, envolvendo, além dos empresários do setor, representantes de organizações não governamentais e outras entidades sociais etc. De qualquer modo, o importante é ter em conta que os excessos podem ser punidos a posteriori — medida, convenhamos, mais civilizada que censurar".

Orlando Tambosi

Publicado originalmente em Estudos de Jornalismo e Mídia, Florianópolis, Editora Insular, vol. I, Semestre I/2004.

Leia o texto acima completo clicando aqui.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Televisão e a falta de crítica especializada


"O blog do jornalista Daniel Castro, abrigado pelo portal R7, publicou em 13/01/2010 uma entrevista com Silvio de Abreu, autor da telenovela Passione, que afirma que "a crítica de TV no Brasil é despreparada". Silvio de Abreu tem toda a razão.

A falta de crítica especializada em TV no Brasil decorre de um preconceito que, infelizmente, ainda persiste: "Televisão não é coisa para intelectual; intelectual de verdade deve se dedicar a temas mais nobres, como a literatura, ou a questões mais prementes, como as sociais." A mídia, nesse sentido, é deixada de lado porque é considerada um "luxo dos pobres", uma "fuga da realidade", segundo a ideia do senso comum, que, por sua vez, é uma corruptela de teorias da metade do século passado.

Seguindo esse raciocínio, para ser crítico de TV no Brasil basta ser jornalista e gostar dessa coisa (tida como) "menor" que é a TV. As coisas pioram muito quando se misturam a chamada crítica de TV com os resumos de telenovela e fofocas no mesmo espaço. Em outras palavras, a pífia e suposta crítica de televisão perde ainda mais em credibilidade. Não que não deva haver espaço para fofoca sobre artistas e resumos de novela. Todos esses são produtos da mídia e sobre a mídia e, portanto, se justificam. Minha questão é que, ao se promover tal mistura, até mesmo por questões do mercado (pois, na prática, uma coluna que publique furos sobre os próximos acontecimentos da novela ou sobre a intimidade dos artistas vai ser muito mais lida/acessada), a crítica perde em força e em importância. Passa a ser apenas a opinião daquele ou daquela jornalista".

Conrado Mendes . Observatório da Imprensa

Leia o texto completo clicando aqui.