terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Até onde vai a responsabilidade dos pais quando o assunto é publicidade infantil?


"A César o que é de César

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Citar o
 Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) mais de 20 anos depois da sua aprovação deveria ser desnecessário... Mas não é.

Pelo contrário, quando o assunto é regulação de publicidade para crianças, é preciso repetir o artigo 4º do ECA todos os dias, como um mantra. Isso porque ainda tem muita gente que acredita que proteger as crianças da publicidade e do consumismo é dever único e exclusivo dos pais.

Uma infância saudável depende de envolvimento e esforço conjuntos. É fundamental, por exemplo, que o setor empresarial se organize e crie códigos de conduta e de ética. Assim como é essencial que o Estado proteja os direitos da criança e regule questões como a da publicidade, da mesma maneira que faz com outros temas. Políticas públicas são importantes porque estabelecem critérios mínimos a serem seguidos e fiscalizados. Sem elas, tudo é voluntário e depende de boa vontade e bom senso – coisas muito subjetivas...

Imagine por um instante como seria se as leis de trânsito fossem voluntárias. Seria apropriado deixar que o mercado decidisse se quer ou não instalar cintos de segurança nos veículos? Seria correto permitir que limites de velocidade fossem estabelecidos pelos próprios motoristas e seguidos só por quem quisesse? Seria seguro deixar que cada pai decidisse se seu filho menor de 18 anos pode ou não dirigir?

O argumento da responsabilidade exclusiva dos pais e da auto-regulação pode ser muito conveniente – afinal, ele implicitamente diz que não é preciso regular a questão, que o estado não precisa se intrometer no assunto e que o mercado é livre para anunciar como e para quem bem entender. Mas jogar nas mãos dos pais toda a responsabilidade pelo que a criança assiste e consome não faz sentido. Primeiro porque abandona os pais sem qualquer tipo de apoio para lidar com uma indústria que movimenta bilhões todos os anos. Segundo porque muitos adultos já nasceram na lógica do consumo e também são vulneráveis aos apelos da publicidade sem sequer se darem conta.

É claro que pais e mães têm um papel crucial na hora de proteger os filhos da publicidade e do consumismo – afinal, cabe a eles servir de exemplo, dar limites e transmitir valores. A regulação da publicidade, sozinha, não vai operar milagres... Os pais tem sim o seu papel nessa história.

Mas no seu exercício diário de educação, eles precisam estar respaldados por políticas públicas que garantam a proteção à infância e por condutas éticas do setor privado.
Sem isso, a tarefa é praticamente impossível".

Reproduzido da página de Consumismo e Infância.


Leia também "10 razões que justificam a regulamentação da publicidade infantil", no Blog Paulinho Soluções" clicando aqui.

Rádio Margarida: ônibus cultural leva nova perspectiva para crianças da Amazônia


"O velho ônibus amarelo batizado de Rádio Margarida lembra o veículo do filme Bye Bye Brasil (1979), de Cacá Diegues, no qual artistas mambembes abandonam a vida que não deu certo no Pará em busca de novas perspectivas.

Eles percorrem o país, fazendo espetáculos para a população mais humilde, com a caravana Rolidei. Como no filme, o ônibus Margarida sai também do Pará, com artistas ambulantes, em busca de regiões de difícil acesso. A diferença com a ficção é que o Rádio Margarida não leva apenas diversão e entretenimento. Seu objetivo é oferecer educação, cultura e novas oportunidades para crianças e adolescentes se desenvolverem em suas próprias comunidades.

Tudo começou com o sonho do assistente social paulista Osmar Pancera. Ele queria utilizar sua experiência acadêmica na Universidade Federal do Pará, levando arte, música, teatro e cinema para regiões que não tinham acesso à riqueza cultural presente apenas nas grandes capitais. “Eu tinha terminado o mestrado em saúde pública em Cuba e quando fui morar em Belém tomei um choque cultural e percebi que precisava fazer algo além da pesquisa”, diz Osmar Pancera. Quando encontrou o ônibus, em 1991, foi amor à primeira vista, e após dois meses de restauro, o veículo do período da Segunda Guerra, estava pronto para sua jornada cultural.  Recebeu o carinhoso nome de Rádio (para referir-se à transmissão de arte, educação e cultura) e Margarida (em homenagem à mãe do criador)".

Leia o texto completo na página de Childhood clicando aqui.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Educação como práxis revolucionária


"Todos os conceitos devem ser desconstruídos para serem construídos com o espírito revolucionário. Tudo está impregnado pela manipulação, pela dominação intransigente, preconceituosa, agressiva, violenta, que as elites infringem ao povo. Cada instituição precisa ser repensada, reformulada. E a consciência é o único caminho para essa mudança. E essa mudança é o caminho inicial para a revolução. Nos dias de hoje, nada pode ser mais revolucionário do que o pensamento crítico. E nada pode fomentar com mais força o pensamento crítico do que a escola. É ali que, crianças, aprendemos a obedecer sem contestar, a receber sem conceber. É ali que somos colocados na moldura que nos desenhará escravos coisificados. E se a própria moldura rebelar-se?

(...) A escola tradicional opera historicamente, no mundo ocidental, como transição entre a infância e o trabalho. É um espaço de preparação cultural para a submissão à autoridade e à disciplina de produção contínua. A escola molda os indivíduos para suas relações sociais e, especialmente, para suas relações de trabalho, tanto frente aos outros trabalhadores quanto frente ao patrão ou à empresa. É no ambiente escolar que a criança transforma-se em adolescente e em "jovem adulto", e em meio a essa transformação aprende a submeter-se à autoridade do professor para depois submeter-se à autoridade do patrão e aprende a submeter-se à escola para depois submeter-se à empresa. No atual modelo escolar, essa autoridade é imposta através do temor, jamais do respeito, assim como a submissão é obtida através da força, jamais da conscientização e do diálogo.

(...) Um novo paradigma educacional resultaria, a curto prazo, em mudanças também na lógica do trabalho a partir da conscientização ativa da exploração sofrida pelos trabalhadores. A prática política, a médio prazo, também seria fortemente influenciada, pois um povo emancipado, politizado, exige participação e poder de decisão. Dessa forma, há um natural (ou imposto pelo povo) aprofundamento democrático, que, por sua vez, tende a realimentar a prática da autonomia do estudante, da educação para a liberdade, para a emancipação, para a transformação de objetos em sujeitos.

A refundação da práxis educacional pode ser essencialmente revolucionária, na medida em que é um passo no grande e necessário caminho de refundação da sociedade sobre um paradigma de democracia verdadeira – não a falsa "democracia liberal" –, com a massa inerte transformada em povo atuante, livre, emancipado. Povo revolucionário é o povo parido – dolorosamente – pelo próprio povo, no momento em que rebela-se contra a opressão".

Alexandre Haubrich . Jornalismo B

Leia o texto completo no Diário da Liberdade clicando aqui.

Furo jornalístico em tempo de blogueiros e redes sociais


Ser o primeiro ou ser o mais confiável? Um velho dilema em novo contexto

"A preocupação com o furo está mais na cabeça dos repórteres e dos executivos do que na do público, para quem um minuto a mais ou a menos na recepção de uma notícia não faz muita diferença, principalmente porque são raras as pessoas que ficam o dia inteiro ligadas no noticiário.

Esta discussão, quase tão antiga quanto a atividade jornalística, ganhou hoje uma dimensão ainda maior por conta da velocidade de circulação das notícias, depois da generalização do uso de ferramentas digitais como blogs, twitter, comunidades virtuais e listas de discussão.

A grande questão é a quantidade de erros registrados em coberturas jornalísticas de acidentes e tragédias, onde os profissionais enfrentam com mais intensidade o clássico dilema entre ser o primeiro ou o mais confiável.  Nos sites onde o tempo de edição de cada nota muitas vezes não supera os 60 segundos, este dilema chega a ser dramático.

O problema é que a ecologia informativa da sociedade contemporânea mudou e as redações ainda não conseguiram se dar conta das conseqüências disso na produção de notícias. A cultura da competitividade e a briga pelo ineditismo informativo ainda são demasiadamente fortes entre os profissionais, apesar das possibilidades de "furos" (jargão para notícia dada antes de todos os concorrentes) jornalísticos serem hoje cada vez menores. Não dá para concorrer com milhares de blogueiros espalhados por todos os cantos do mundo".

Carlos Castilho . Observatório da Imprensa
em 18/2/2011

Leia o texto completo clicando aqui

A pressa que desinforma


"A rapidez com que "envelhecem" as revistas semanais de informação é um dos sintomas de como os novos meios, reestruturados pelas redes sociais virtuais, afetam o jornalismo tradicional. Observe-se, por exemplo, como, já na segunda-feira desta semana, as reportagens publicadas nas revistas brasileiras sobre a revolução contra a ditadura no Egito pareciam superadas em relação ao que traziam os jornais.

O fenômeno ainda merece estudos mais aprofundados, mas é de se questionar que recursos precisarão inventar as publicações de periodicidade semanal para manter a atenção de seus leitores diante da dinâmica dos fatos.

Já se disse, nos anos 1990, quando começou a era da Internet, que jornais e revistas seriam obrigados a oferecer mais reflexão do que informação, mas não se pode afirmar que a profusão de colunas, artigos e outros penduricalhos esteja ajudando o leitor a entender melhor o contexto do noticiário. Persiste ainda, nos meios impressos, certa afobação em definir e explicar os acontecimentos, quando na verdade talvez esteja em curso a valorização gradual e segura do significado em lugar do opiniário puro e simples.

(...) As notícias de um retrocesso não combinavam com o relato do "front", transmitido dos telefones celulares de manifestantes para as redes da internet, dando conta de que Mubarak havia sido alijado da cúpula do governo. Só mais tarde, quando o comando militar divulgou o comunicado oficial informando sobre a destituição do ditador, a imprensa ocidental assumiu que o tirano havia caído.

Entretanto, desde a manhã as redes sociais refletiam o clima de festa no Cairo, porque os manifestantes haviam entendido que, ao ser deixado de fora da reunião da cúpula de governo, Mubarak estava claramente destituído. A imprensa tradicional só assumiu esse fato como verdadeiro após a divulgação de uma nota oficial do comando militar.

Quando a pressa em interpretar os fatos se sobrepõe ao cuidado na apuração e na análise, corre-se o risco de antepor a opinião do jornalista ao verdadeiro significado do acontecimento".

Por Luciano Martins Costa em 15/2/2011
Comentário para o programa radiofônico do OI, 15/2/2011

leia o texto completo no Observatório da Imprensa clicando aqui.

Saiba no que jornais nunca serão substituidos pela internet


Apesar de anti-higiênicos e fedorentos os jornais ainda tem muitos usos.

Alguns dos importantes usos do jornal:

Uso doméstico:
Amadurecer banana, abacate…
Recolher lixo.
Limpar vidros.
Dobradinho, serve para alinhar os pés da mesa.
Embrulhar louças na mudança.
Recolher a sujeira do cachorro.
Forrar a gaiola do passarinho.
Cobrir os móveis e o piso antes de pintar a casa.
Evitar que entre água por baixo da porta.
Proteger o piso da garagem quando o carro está vazando óleo.
Matar moscas, baratas e demais insetos.
Na época da crise econômica, usá-lo como papel higiênico, mesmo que
seja um pouco duro, atende às necessidades e serve para colorir os cabelinhos brancos.

Uso educativo:
Bater no focinho do cachorro quando faz xixi dentro de casa.
Fazer barquinhos de papel.
Arrancar um pedacinho em branco para anotar número de telefone.

Usos comerciais:
Alargar o sapato.
Rechear bolsas para conservar a forma.
Embrulhar peixes.
Embrulhar pregos na loja de produtos para construção.
Fazer um chapeuzinho para o pintor ou para o pedreiro.
Cortar moldes para o alfaiate ou para a costureira.
Embrulhar quadros.
Embrulhar flores.

Uso festivo:
Acender a churrasqueira.
Rechear a caixa de presente surpresa.

Outros Usos:
Para os seqüestradores usarem suas letras nas cartas.
Fazer bolinhas para jogar nos companheiros de classe.
Fazer uma capinha para o machado ou foice.
Fazer proteção na cabeça para não estragar a chapinha quando estiver garoando.

Nos filmes, para os bandidos esconderem o revolver.
Para esconder-se atrás dele quando não quiser que te vejam.
Ah!!!!!! E por último para ler as "notícias".

Poderia dizer se você faria tudo isso com o computador?
Eu não creio

Do blog do Zé Domingos

Reproduzido no Soldado no Front

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A necessidade do contole público da televisão


"As ondas da televisão trafegam pelo espaço eletromagnético, um bem público, escasso e finito e suas mensagens chegam diretamente aos domicílios, dentro de um reduzido leque de alternativas oferecidas aos telespectadores dos canais abertos, a maioria absoluta da população brasileira. Daí a necessidade de ser regulado pelo Estado, com o objetivo de evitar privilégios.

É diferente dos jornais e revistas, veículos que se utilizam de canais privados para circular e são lidos a partir da vontade individual e espontânea dos cidadãos. A televisão não, além de trafegar por canais públicos, entra em nossa casa sem que possamos realizar qualquer escolha prévia. Elas operam como concessões públicas, outorgadas pelo Estado, em nome da sociedade. São concessões temporárias com 15 anos de duração, uma informação que é sonegada ao público por aqueles que tem o dever de informar, ou seja os próprios concessionários dos canais de televisão. Por isso, a maioria da população tende a acreditar que empresas como a Globo, SBT ou Record são donas do espaço e não empresas ocupantes eventuais. Como as empresas de ônibus que trafegam pelas vias públicas.

Algo tão claro, é obscurecido no Brasil. Uma das razões está no fato do rádio, e depois com mais ênfase a televisão, terem surgido de maneira geral como decorrência de empreedimentos jornalísticos já estabelecidos. Basta citar os dois exemplos mais significativos: o império Associado, de Assis Chateaubriand e as Organizações Globo, de Roberto Marinho. Tendo como base essa origem, as emissoras de rádio e televisão desses grupos passaram a escudar-se na liberdade de imprensa vigente para os jornais e revistas, com o intuito de evitar qualquer tipo de ação da sociedade sobre as programações dos meios eletrônicos. A simples outorga e renovação de concessões, que deveria se constituir num processo aberto e transparente, é algo realizado longe dos ôlhos da sociedade. Como a maior parte dela só se se informa pelo rádio e pela televisão, a obscuridade do processo torna-se quase absoluta.


Essa é a “caixa-preta” da televisão brasileira. A outorga das concessões cujos efeitos são sentidos por toda a sociedade é relizada de forma quase secreta. Em países de democracia mais consolidada que a nossa, o processo de escolha da empresa que vai operar um canal de televisão é realizado às claras, com ampla participação dos setores organizados da sociedade. 


(...) A criação do órgão regulador no Brasil deve ser acompanhada da promulgação de uma nova Lei de Comunicação Eletrônica de Massa capaz de ocupar o vazio legal existente hoje. A lei em vigor é de 1962, assinada pelo presidente João Goulart, sob forte pressão dos empresários do setor. Para se ter uma idéia dessa pressão, o projeto inicial sofreu 40 vetos do Executivo, derrubados posteriormente no plenário do Congresso. Ficou a lei que os concessionários queriam, com algumas modificações introduzidas pela ditadura, em l967, através de um decreto-lei.

Se o Código Brasileiro de Radiodifusão (nome dado à lei) já regulava pouco naquela época, hoje é letra morta. Basta pensar que naquele momento a televisão ainda era em preto-e-branco e o video-tape uma grande novidade, para falarmos da tecnologia. Do ponto de vista cultural, viviamos num país ainda fortemente agrário, com quase metade da população ainda morando no campo. Não havia surgido a mini-saia e nem a pílula anti-concepcional. Mas a lei continua a mesma quando estamos às portas da chegada da TV digital ao país, numa sociedade em que hábitos, costumes e valores passaram por grandes transformações. Quem tem uma lei que não dá conta de nada disso, não tem lei alguma. A TV no Brasil opera num vácuo legal, deixando que apenas os interesses políticos e comerciais dos beneficiados com concessões de canais determinem o que deve ou não ir ao ar.

Dai a necessidade urgente de uma nova legislação, moderna e democrática, capaz de incluir nas decisões sobre o papel social, político e cultural da televisão todos aqueles que dela se utilizam como cidadãos e não apenas os que dela se beneficiam como comerciantes".

Laurindo Lalo Leal Filho

III Seminário Internacional Latino-Americano de Pesquisa da Comunicação


Tema Central: “Democratizar a comunicação: uma tarefa pendente?”

12 a 14 de maio de 2005

Escola de Comunicações e Artes/USP

Leia o texto completo clicando aqui.

Florestan Fernandes, a Escola do MST e o jardim cercado da academia


“(...) Como não gritar contra o escândalo das políticas compensatórias impregnadas do cheiro acre do favor. Para a elite brasileira, a Escola Nacional do MST é um luxo. “Aliás, pergunta, de onde saiu o dinheiro?”. Pergunta nunca dirigida aos empresários privados da educação. A pergunta que os trabalhadores fazem, em troca, é: “quem levantou o prédio?”. 

Os nomes dos pedreiros, marceneiros, eletricistas, encanadores… costumam ficar perdidos. Na Escola de Guararema não: os nomes dos trabalhadores estão aí, eles ali estudaram, e os seus filhos, assim como os dos outros trabalhadores, poderão estudar lá.

A elite tolera os acampamentos quando eles aspiram apenas à sobrevivência das famílias, insultando-os com um olhar que pretende reduzi-los à condição de mendicante. Quando o acampamento vira assentamento, e quando o assentamento se torna produtivo, paradoxalmente, projeta sobre as famílias o medo paranóico à “barbárie” e ao “fundamentalismo”, palavras-chave usadas mais de uma vez para legitimar a violência “preventiva” contra os pobres.

Porque os Sem Terra não permanecem na condição de pobres para assim completar a paisagem tão conhecida, tão natural, da brasilidade? Porque não seguem o roteiro traçado de antemão, no cenário das casinhas de pau-a-pique, esperando que o Estado, algum dia, tenha a bem incluí-los no “contrato social” e realizar a reforma agrária que, afinal, “todos almejamos”? Ou, ainda, porque não ficam in eternum sobrevivendo junto às estradas da caridade pública sob os barracos de plástico preto para lembrar a todos que o Brasil é o país do futuro e sempre será? Porque os Sem Terra teimam em querer abandonar a pátria pobreza e constroem uma escola como a de Guararema?

(...) Antes de fazer o roçado, a horta para preparar a comida dos alunos, os Sem Terra prepararam o jardim, os caminhos bordados de flores e os canteiros, e plantaram uma muda de cada região do país, para que vingue. Do terraço do refeitório pode-se ver e ouvir uma fonte que lembra as das construções daqueles árabes da península ibérica que encorajavam o diálogo entre culturas diversas e mantiveram o tesouro das civilizações anteriores num período em que o resto de Ocidente enrijecia o seu pensamento dominado pelo “fundamentalismo”. Nessa Alahambra bem brasileira, um pouco distantes, mas não separados das lutas cotidianas, os estudantes pobres, e filhos de pobres, netos de pobres, de pobreza ancestral, cortam a cerca e não pisam nas flores. Como Florestan, querem ocupar os espaços do saber, neles resistir e também produzir novos saberes que, bem vistos, sejam pão e também o biscoito fino para todos comermos”.

Silvia Beatriz Adoue

Publicado na REA, nº 47, abril de 2005

Leia o texto completo no Blog da Revista Espaço Acadêmico, clicando aqui.

Leia também sobre o anúncio da inauguração da Escola Nacional do MST clicando aqui e, "MST inaugura escola nacional em Guararema", na página da Carta Maior, clicando aqui.

Publicidade pega pesado com as crianças



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

La educación como negocio: qué se esconde tras los libros de texto


Qué se esconde tras los libros de texto


Educación y libros de texto

Existe un viejo dicho en el ámbito educativo, utilizado para hacer ver el inmovilismo didáctico, que dice algo así como que si alguien del Siglo XVIII apareciera hoy día en nuestra sociedad, uno de los pocos lugares que reconocería sería una escuela.

En general, poco se ha cambiado en cuanto al contexto, roles y actuaciones de los protagonistas en el proceso de enseñanza y aprendizaje. Seguimos con el docente que habla y los estudiantes que oyen, la pizarra, las tizas, las mesas individuales mirando hacia el frente... y de repente el docente dice "abrimos el libro de matemáticas por la página 40" y el alumnado obedece y ese fantástico libro con dibujos a color y ejercicios de fracciones que nada tiene que ver con la realidad de los jóvenes se vuelve a poner en el centro del proceso, como si fuera una barrera infranqueable entre la interacción directa entre docente y discentes o más bien, entre el alumnado y el mundo real.

Ahí está de nuevo, un libro de texto que muestra "la verdad", con los contenidos conceptuales que se "deben" aprender en un curso determinado y que dirige el conocimiento, discriminando lo "importante" de lo que no lo es.

Efectivamente, en muchos casos el libro de texto continúa marcando los tiempos en las aulas y supone un cómodo refugio para algunos docentes que siguen apostando por la educación tradicional, memorística, pasiva y adormecedora que tan buenos resultados da, sobre todo, al estado capitalista actual.

(...) Continuamos anclados en la educación de papel y lápiz, en la educación asimétrica que adoctrina en la pasividad y el conformismo consumista, en la educación influenciada por grandes coporaciones con objetivos únicamente mercantilistas y económicos.   Las escuelas continúan dando la espalda a la realidad, a la incorporación efectiva de medios tecnológicos que fomente el aprendizaje significativo de los actuales jóvenes. Es fundamental la formación de los docentes, aportando medios y recursos para ello, también el cambio de concepción didáctica hacia métodos más participativos, democráticos y basados en el mundo real.

Nos consta la existencia de grupos de innovación docente cuyo trabajo se encamina hacia estos objetivos, grupos que serán obstaculizados por las editoriales que, sean del signo que sean, tienen como principal fin ganar el máximo de dinero posible. Un ejemplo lo podemos encontrar en la asignatura de Educación para la Ciudadanía, boicoteada por la derecha más rancia y la Iglesia Católica, mientras sus propias editoriales desarrollaban raudas y "sin ningún problema" los libros para la mencionada asignatura, no fuera a que se le escapara tajada. Por cierto, como digna excepción podemos encontrar el libro para esta asignatura realizado por Carlos Fernández y Luis Alegre en la editorial Akal y que tantas críticas provocó en ciertos sectores retrógrados.

En definitiva, un tentáculo más del capitalismo salvaje que intenta agarrar con todas sus fuerzas lo que para ellos es el "negocio educativo", situación que debe ser contrarrestada por la responsabilidad, la reflexión y la coherencia del profesorado y las comunidades educativas para perseguir hasta las últimas consecuencias el desarrollo íntegro y libre de los jóvenes y la búsqueda efectiva de una sociedad mejor, más justa e igualitaria".

Portal Libertario OACA . Cádiz/Espanha

Leia o texto completo em Rebelión, clicando aqui.