terça-feira, 23 de novembro de 2010

Silvio Waisbord: estamos no limiar da chamada "sociedade desmidiatizada"



Na visão de Silvio Waisbord, professor e pesquisador da George Washington University (EUA), estamos no limiar da chamada "sociedade desmidiatizada", na qual a imprensa tradicional vem perdendo gradativamente seu peso político como espaço de formação da opinião pública.

O fato é que do ponto de vista democrático, a web oferece novos espaços de mobilização, debate e construção da opinião pública, sem controle ou possibilidade de censura do Estado ou do poder econômico, como jamais se houvera experimentado*.

* Leia o texto que se refere a ele no Observatório da Imprensa, reproduzido do objETHOS, clicando aqui.

Assista Waisbord no "Seminário Democracia e Jornalismo na Era Digital", realizado no dia 26 out 2010 no CCE/UFSC, em Florianópolis/SC, clicando aqui.

Seminário “Democracia e Jornalismo na Era Digital

14h: Abertura
14h30: “Democracia e Jornalismo na Era Digital: o cenário internacional”, com o professor Silvio Waisbord, PhD, da George Washington University.
Comentários: Dr. Carlos Müller (jornalista, assessor de imprensa da ANJ)
15h45: Coffee-Break
16h15: “Democracia e Jornalismo na Era Digital: desafios regionais”, com o jornalista Cyro Martins, diretor de produto do Grupo RBS-SC.
Comentários: Dr. Francisco José Karam (Observatório da Ética Jornalística/UFSC)
17h30: Encerramento

UNESCO aponta falhas na mídia brasileira


Se o sistema de comunicação do Brasil passasse por um teste feito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) é bem provável que seria reprovado. De acordo com os parâmetros da organização mundial, nosso país precisa melhorar em vários aspectos a sua legislação e sua regulação das leis. É o que ficou claro nas exposições de Toby Mendel e Wijayananda Jayaweera, os dois representantes da entidade presentes no Seminário Internacional Convergência de Mídias, que ocorreu terça (9) e quarta (10) de novembro, em Brasília.

Toby Mendel é Consultor Internacional da Unesco e Wijayananda Jayaweera, diretor da Divisão de Desenvolvimento da Comunicação da organização. Com base em pesquisa desenvolvida em diversos países, os dois expuseram alguns indicadores desenvolvidos pelo órgão. O Brasil não cumpre na totalidade nenhum deles.

O modelo adotado no país de regulação da mídia foi alvo de várias críticas dos palestrantes. Diferente do que ocorre no país, a Unesco acredita que a concessão e renovação de outorgas deveria ser feita por um órgão regulador independente, como ocorre em Portugal. Por aqui, ele passa pelo governo Federal e pelo Congresso. “O sistema de licenças no país não atende os requisitos de independência”, disse Toby Mendel.

Leia o texto de Jacson Segundo no NovaE clicando aqui, e na UNESCO Brasil clicando aqui.

10 estratégias de manipulação midiática


Baseado na obra do linguista estadunidense Noam Chomsky*, alguém elaborou uma lista das "10 estratégias de manipulação" através da mídia:

1 - A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.

2 - CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3 - A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4 - A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5 - DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6 - UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...

7 - MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8 - ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9 - REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10 - CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

Texto reproduzido de Instituto João Goulart
30 jul 2010

Leia no Viomundo o texto traduzido pelo Adital clicando aqui,

* Note as dúvidas sobre a autoria do texto ao pé da postagem.

Leia o texto em espanhol, no Blog "Televisión y Escuela" da Argentina, clicando aqui.

Leia o texto em inglês clicando aqui e, em francês aqui.

Os Blogs sujos sobem a rampa do Planalto para entrevista


Blogs sujos entrevistam o Presidente Lula nessa quarta-feira, 24 nov 2010

A entrevista com Lula será transmitida ao vivo pelo Blog do Planalto (http://blog.planalto.gov.br/) e por outros sites e blogs que queiram transmiti-la. Haverá também possibilidade de participação por meio do twitter. Além de mim, também participarão da entrevista os blogueiros Altamiro Borges (Blog do Miro), Altino Machado (Blog do Altino), Cloaca (Cloaca News), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna).

Leia mais no Viomundo, clicando aqui.

Conselho de Comunicação Social: quatro anos de ilegalidade


"O Congresso Nacional e, sobretudo, o Senado Federal, abriga um grande número de parlamentares com vínculos diretos com as concessões de rádio e televisão. O CCS é um órgão que – insisto, mesmo sendo apenas auxiliar – discute questões que ameaçam os interesses particulares desses parlamentares e dos empresários de comunicação, seus aliados. Essa é a razão – de fato – pela qual o Congresso Nacional descumpre a Constituição e a lei.

Indefensável é a cumplicidade gritantemente silenciosa da grande mídia e daqueles que nos lembram quase diariamente dos supostos riscos e ameaças que a liberdade de expressão enfrenta no Brasil e em países vizinhos da América Latina.

O funcionamento regular de um órgão auxiliar do Congresso Nacional, composto por representantes dos empresários, de categorias profissionais de comunicação e da sociedade civil, com a atribuição de debater normas constitucionais e questões centrais do setor, não interessaria à democracia?

Por que, afinal, o Conselho de Comunicação Social não funciona?"

Por Venício A. de Lima

Leia o texto completo clicando aqui.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Regulação da mídia e da cultura


Regulação da mídia é o tema da vez. Aparece-nos às vezes sob ameaça de censura, necessidade de controle social, urgência em democratizar os meios de comunicação. O problema é antigo no Brasil. E sua solução depende de destrincharmos uma série de questões mal resolvidas em nossa recente democracia. Acima de tudo, é preciso compreender o processo de transformação e convergência que os sistemas de comunicação, público e privado, sofrem no país e no mundo. O que o transforma cada vez mais em uma questão cultural: de cidadania, diversidade e democracia.

Sem a pretensão de esgotar o assunto, tentarei elencar aqui algumas dessas dimensões, que compõem um emaranhado de difícil compreensão e resolução.

Por Leonardo Brant

Leia o texto completo clicando aqui e aqui.

Pesquisa: "Órgãos reguladores da radiodifusão em 10 países"


Com o objetivo de contribuir para o debate sobre o novo marco regulatório para as comunicações no Brasil, o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social apresenta um levantamento sobre o funcionamento de órgãos reguladores que atuam sobre sobre a radiodifusão em 10 países. O estudo revela a tendência de os países adotarem órgãos independentes para regulação do setor, com ênfase nas questões de garantia de competição, gestão do espectro e de regulação de conteúdo.

Foram pesquisadas as estruturas reguladoras de Reino Unido, França, Canadá, Estados Unidos, Bósnia e Herzegovina, Argentina, Uruguai, Alemanha, Espanha (incluindo um capítulo especial sobre a Catalunha) e Portugal. Sem a pretensão de ser um estudo aprofundado sobre a dinâmica dos conselhos e agências, a pesquisa do Intervozes tem como objetivo compreender, para cada país observado, as características gerais e atribuições do ente regulador, as estruturas organizativas (incluindo composição e forma de escolha), a descrição dos poderes fiscalizadores, punitivos e mecanismos de enforcement, as dinâmicas de transparência, controle público e accountability, os espaços de participação civil e fazer um breve mapeamento dos organismos de fomento. Foram utilizadas fontes primárias e secundárias, especialmente estudos prévios de organismos do governo brasileiro e de pesquisadores dedicados ao tema.

Pesquisa: "Órgãos reguladores da radiodifusão em 10 países"
Pesquisadores responsáveis: Sivaldo Pereira e Ramênia Vieira
Coordenação: João Brant
Apoio: Fundação Ford


Leia o texto completo e os relatos de cada país clicando aqui.

Regulação da mídia, democracia e jornalismo em debate


"A proposta de uma nova regulação da mídia, com base no apoio legislativo e na mobilização da sociedade civil, pode ser um novo caminho para a democracia, ou seja, para a efetiva democracia que realize os ideais da cidadania, com protagonistas novos e novas fontes, com temas sem controle e sem restrições financeira e de audiência. Nele está a liberdade a ser conquistada efetivamente, não simulada e nem seletiva. Nenhuma empresa jornalística está acima da democracia. A democracia de todos, claro, não a de poucos que consideram representar todos".

Francisco José Castilhos Karam

Leia o texto completo clicando aqui.

Luis Nassif fala sobre a regulação da mídia nos EUA


A regulação da mídia nos EUA

"Emissoras de TV têm que cumprir exigências. Há limites à propriedade, obrigatoriedade de programação educativa para crianças e programação de produtores independentes.

(...) Um dos pontos centrais é a regulamentação do conteúdo. O governo norte-americano não controle conteúdo nem na broadcast, cabo ou satélite. No caso da radiodifusão a exceção é para conteúdo obscenos, visando proteger as crianças.

Qual o problema maior? O poder político da velha mídia. Nas últimas campanhas, foi gasto mais dinheiro na radiodifusão tradicional e a cabo do que em todas as eleições anteriores. Constata a pesquisadora: “Embora a nova mídia esteja transformando o mercado, a mídia tradicional ainda é bastante poderosa”.

Leia o texto completo clicando aqui.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Painel de Pesquisas no MLC 2010: Media Regulation in the 21st Century



MEDIA LITERACY CONFERENCE
19th - 20th november . London/UK


Destaques da programação de Painel de Pesquisas


19 nov 2010 . Friday

Media Regulation in the 21st Century
Chris Banatvala, David Austin
Ofcom and British Board of Film and Video Classification

20 nov 2010 . Saturday

NEWS MEDIA

School newspapers as capital
of political understanding
Maria José Brites

Remixing news in the classroom:
Participatory approaches to teaching
about news in digital spaces
Paul Mihailidis

News Literacy among Pre-teenagers:
CESEM, a Swedish pilot study
Ebba Sundin, Klas Ohling, Eva-Lotta Palm

IMPLEMENTING MEDIA EDUCATION

Can media education help form communication
competent students? An investigation
in a Brazilian high school
Rodrigo Pelegrini Ratier

Veja a Programação completa clicando aqui.